Em um movimento surpreendente, o presidente eleito da Argentina, Javier Milei, está promovendo uma reviravolta na condução econômica do país ao nomear Luis "Toto" Caputo como ministro da Economia. Caputo, um estrategista financeiro com passagem pelo Deutsche Bank e JP Morgan, foi figura-chave na administração de Mauricio Macri, desempenhando papéis cruciais no Ministério de Finanças e na presidência do Banco Central.
A jogada de Milei, que ocorreu mesmo antes de sua posse, busca estabelecer uma parceria estratégica com os Estados Unidos para implementar um mandato ultraliberal. Ao retornar de Washington, Milei anunciou que o plano econômico argentino recebeu uma resposta extremamente favorável da Casa Branca.
O principal desafio econômico que aguarda Caputo é a abordagem da crise severa enfrentada pelo país, caracterizada por uma inflação anual de 140% e 40% da população vivendo na pobreza. Milei, ao comentar sobre a escolha, destacou a expertise de Caputo para lidar com questões prementes, particularmente os títulos emitidos pelo governo, conhecidos como Leliq.
As Leliq, que oferecem liquidez em até 28 dias, representam um desafio significativo, conforme explica o economista André Roncaglia. A Argentina enfrenta a necessidade de limpar um estoque desses títulos, demandando a conversão da dívida em dólares ou a disponibilidade de dólares para sua aquisição.
Roncaglia, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), compara as Leliq às operações overnight que surgiram no Brasil nos anos 1990. Apesar de a inflação argentina estar longe dos níveis brasileiros daquela época, a comparação destaca a liquidez oferecida por esses títulos, fundamental para a estabilidade financeira.
Sobre Caputo, que já foi chamado de "Messi das finanças", o economista considera que, apesar de suas ligações com o mercado financeiro e o grupo de Macri, ele pode agir como um contrapeso moderado ao discurso radicalizado de Milei.
A nomeação de Caputo, que teve papel crucial na contratação do empréstimo de 100 anos com o FMI durante a gestão de Macri, reflete uma abordagem mais moderada do que inicialmente previsto. Contudo, a essência do governo Milei é vista como uma reedição do governo Macri, buscando reformas liberalizantes, mas evitando medidas tão radicais quanto a eliminação do Banco Central ou a dolarização da economia.
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