Soldados Israelenses Usam Homem Palestino como Escudo Humano em Operação na Cisjordânia

Incidente com palestino ferido causa indignação e críticas internacionais

Em uma operação militar na cidade de Jenin, na Cisjordânia ocupada, forças israelenses amarraram um homem palestino ferido ao capô de um veículo militar, num episódio que a ONU descreveu como uso de escudo humano. Mujahed Azmi, um residente de Jenin, foi capturado e preso ao veículo, conforme mostrado em um vídeo verificado pela Al Jazeera e postado online no sábado.

O Vídeo e a Reação da Família

O vídeo mostra Azmi amarrado ao capô do jipe militar, que passou por duas ambulâncias enquanto ele estava imobilizado. A família de Azmi relatou à agência de notícias Reuters que ele foi ferido durante a operação e, ao solicitarem uma ambulância, os militares o prenderam ao jipe e seguiram viagem, ignorando os pedidos dos paramédicos para entregá-lo.

Abdulraouf Mustafa, motorista de ambulância palestino, afirmou que os soldados israelenses se recusaram a liberar Azmi. "O jipe passou e o homem ferido estava no capô. Um braço estava amarrado ao para-brisa e o outro estava sobre o abdômen", relatou Mustafa à Al Jazeera. "Eles passaram por nós e recusaram-se a nos entregar o paciente."

Posição do Exército Israelense

O exército israelense, em declaração, admitiu que seus soldados foram alvo de disparos durante a operação e responderam ao fogo, ferindo e detendo um suspeito. "O suspeito foi levado pelas forças enquanto estava amarrado em cima de um veículo", afirmou o comunicado, reconhecendo que a ação dos soldados não está de acordo com os valores das forças armadas e prometendo investigar o incidente.

Azmi foi posteriormente liberado pelos soldados e levado ao hospital por paramédicos, onde foi encaminhado para cirurgia, conforme informações de profissionais de saúde.

Aumento da Violência na Região

O incidente ocorre em meio a uma escalada de violência na Cisjordânia, que já vinha aumentando antes da guerra de Israel contra Gaza. A região tem presenciado frequentes operações militares israelenses, ataques de colonos judeus a vilarejos palestinos e confrontos violentos.

Francesca Albanese, relatora especial das Nações Unidas para os territórios palestinos ocupados, classificou o episódio como "uso de escudo humano em ação". "É estarrecedor como um estado fundado há 76 anos conseguiu inverter o direito internacional de tal forma", escreveu em uma publicação.

Reações Internacionais

A reação internacional foi contundente. O Conselho de Relações Americano-Islâmicas (CAIR), a maior organização de direitos civis muçulmana dos Estados Unidos, condenou tanto o incidente quanto os ataques israelenses que mataram 43 pessoas em Gaza. "Esses massacres e crimes de guerra israelenses financiados pelos EUA devem ser interrompidos", declarou Ibrahim Hooper, diretor de comunicações do CAIR.

David Des Roches, professor da National Defense University dos EUA, destacou que, se os militares israelenses não punirem os soldados envolvidos, outros poderão ver suas ações como uma licença para repetir o ato. "A reação das forças armadas israelenses será muito reveladora", afirmou Des Roches, acrescentando que a falta de disciplina apropriada poderia ser interpretada como uma permissão tácita para tais práticas.

Histórico de Violações

Esse não é o primeiro caso de má conduta das tropas israelenses. No ano passado, grupos de direitos palestinos acusaram soldados israelenses de usar cinco crianças como escudos humanos durante uma operação perto de Jericó. Além disso, investigações foram abertas após a destruição de uma universidade em Gaza e o bombardeio do quartel-general do Crescente Vermelho, que abrigava cerca de 1.400 pessoas.

Em fevereiro, o principal advogado militar de Israel alertou as tropas sobre violações, enfatizando que ações não autorizadas dos soldados causariam danos estratégicos ao país.

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