Atual contrato entre Moscou e Kiev expira em 2024
A suspensão do trânsito de gás russo pela Ucrânia impactará severamente os consumidores da União Europeia (UE), afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, nesta quarta-feira. A declaração foi uma resposta à decisão anunciada pelo presidente ucraniano, Vladimir Zelensky, na terça-feira, de não renovar o contrato de trânsito de gás com a Rússia, que termina no final de 2024.
A decisão de Kiev poderá resultar em um aumento significativo dos preços para os consumidores europeus que procuram gás a preços mais acessíveis, advertiu Peskov. "Eles [os europeus] terão que pagar muito mais pelo gás de outros fornecedores, incluindo o gás natural liquefeito (GNL) dos Estados Unidos, o que tornará a indústria [europeia] menos competitiva", destacou o porta-voz.
Contudo, Peskov também mencionou a existência de rotas alternativas para o fornecimento de gás russo ao bloco, como a via planejada de um hub na Turquia. "Há trabalho em andamento nesse sentido", acrescentou.
O acordo de cinco anos entre Kiev e Moscou, mediado pela UE e assinado em 2019, permite que a gigante energética russa Gazprom transite 65 bilhões de metros cúbicos (bcm) de gás através da Ucrânia em 2020 e 40 bcm anualmente entre 2021 e 2024.
Zelensky afirmou categoricamente, em uma conferência de imprensa, que "o acordo com a Rússia não será prolongado, ponto final", ressaltando que, após a expiração do contrato, a Ucrânia decidirá conjuntamente com a UE sobre o trânsito de gás russo por seu território. O ministro da Energia da Ucrânia, German Galushchenko, confirmou anteriormente que Kiev não planeja prolongar o acordo.
A Gazprom, que já foi a principal fornecedora de gás para a UE, reduziu drasticamente suas exportações para o bloco em 2022, após o sabotamento dos gasodutos Nord Stream. Apesar das sanções relacionadas à Ucrânia impostas por Bruxelas à Rússia, as importações de gás por gasodutos não foram diretamente afetadas. No entanto, diversos países membros, incluindo Polônia, Bulgária, Finlândia, Países Baixos e Dinamarca, interromperam voluntariamente suas importações. Por outro lado, nações como Áustria, Eslováquia, República Tcheca e Itália continuam a importar gás russo por meio de gasodutos.
Há preocupações de que o fluxo de gás possa ser interrompido prematuramente após incursões militares de Kiev na região de Kursk, na Rússia, onde está localizado o ponto de trânsito de gás para a Ucrânia, Sudzha. No ano passado, a Gazprom forneceu cerca de 15 bcm de gás para a UE através dessa rota, o que representou 4,5% do consumo total do bloco.
A Gazprom informou anteriormente que o trânsito de gás através de Sudzha continuava em conformidade com os volumes contratados. Segundo fontes da Bloomberg, autoridades europeias estão em negociações com a Ucrânia para garantir que o fluxo de gás russo continue no próximo ano.
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