O fundador e CEO do Telegram, Pavel Durov, expressou preocupações sobre as recentes ações das autoridades francesas contra sua plataforma, alertando para possíveis consequências negativas para a indústria tecnológica. Durov, que foi detido em um aeroporto de Paris no dia 24 de agosto, enfrenta acusações graves, incluindo uso criminal do aplicativo, como facilitação de terrorismo, pornografia infantil, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e fraude. Liberado no dia 28 após pagar uma fiança de 5 milhões de euros (R$ 29,5 milhões), Durov está proibido de deixar a França.
Em uma publicação no próprio Telegram, Durov relatou ter sido interrogado por quatro dias, período em que foi informado de que poderia ser responsabilizado pessoalmente por crimes cometidos na plataforma. Segundo ele, as acusações são problemáticas e refletem uma abordagem "equivocada" por parte das autoridades francesas, que parecem ignorar os canais oficiais de comunicação estabelecidos pela empresa na União Europeia para responder a solicitações de governos.
Durov enfatizou que o Telegram possui um representante oficial na UE, cuja função é justamente lidar com pedidos de autoridades locais. "O endereço de e-mail do nosso representante europeu está disponível publicamente e é facilmente encontrado por qualquer pessoa que pesquise por 'Telegram EU address for law enforcement'," afirmou Durov. Ele também destacou que a plataforma mantém um canal de comunicação específico com as autoridades francesas para combater ameaças terroristas.
Para o executivo, a decisão de responsabilizar pessoalmente CEOs por ações de terceiros que ocorrem em suas plataformas é um retrocesso. "Construir tecnologia já é uma tarefa complexa. Nenhum inovador vai criar novas ferramentas se souber que pode ser pessoalmente responsabilizado pelo uso indevido dessas ferramentas", criticou.
Durov também rejeitou as acusações de que o Telegram seria um "paraíso anárquico" e ressaltou que a empresa está adotando novas medidas internas para evitar abusos, as quais serão divulgadas futuramente. Ele reconheceu que o crescimento da base de usuários da plataforma — que já ultrapassa 950 milhões — pode ter facilitado o uso criminoso do app, mas reiterou o compromisso com a privacidade e segurança dos usuários.
O empresário russo, exilado em Dubai, enfatizou que o Telegram não abrirá mão de seus princípios, mas continuará a dialogar com reguladores ao redor do mundo. "Se não encontrarmos um equilíbrio aceitável em um país, nossa única opção será sair", alertou Durov, que vê na repressão das autoridades francesas um risco para o futuro da inovação tecnológica.
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