Secretário de Defesa dos EUA realiza visita surpresa a Kiev e anuncia mais ajuda militar

O Secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, fez uma visita não anunciada à capital ucraniana, Kiev, enquanto o governo americano revelou mais um pacote de US$ 400 milhões (cerca de R$ 2 bilhões) em auxílio militar para a guerra liderada por Volodymyr Zelensky. A viagem, marcada pela discrição, incluiu encontros com Zelensky e Rustem Umerov, o Ministro da Defesa da Ucrânia.

O pacote de ajuda militar anunciado inclui munições para sistemas HIMARS, morteiros, artilharia e veículos blindados M113, além do montante de US$ 425 milhões já anunciado na semana anterior. Desde agosto de 2021, os EUA já forneceram 68 pacotes de assistência militar a Kiev, com um valor total estimado em mais de US$ 64 bilhões, sem contar as contribuições adicionais de aliados da OTAN, como Canadá e países europeus.

Durante seu discurso, Austin reafirmou o compromisso dos EUA em apoiar a Ucrânia em sua luta por sobrevivência e segurança. "Para quem acha que a liderança americana é cara, considere o preço da retirada americana", declarou o chefe do Pentágono. Ele destacou que "o preço dos princípios é sempre menor que o custo da capitulação".

No entanto, o Wall Street Journal observou que, embora a Ucrânia esperasse anúncios mais significativos, como a entrada na OTAN ou a permissão para o uso de armas de longo alcance fornecidas pelos EUA contra a Rússia, esses pedidos não foram atendidos. A visita de Austin é vista como possivelmente sua última como chefe do Pentágono, em meio a críticas de que sua abordagem cautelosa pode ter prejudicado o esforço de guerra ucraniano.

Heather Conley, consultora sênior no German Marshall Fund, sugeriu que os EUA deveriam ter sido "mais claros e diretos", fornecendo todas as capacidades necessárias à Ucrânia desde o início do conflito. Contudo, Colin Kahl, ex-vice de Austin, contestou essa visão, chamando-a de "um dos maiores mitos de Washington", explicando que fornecer armas e treinamento em tempo recorde envolve "pensamento mágico".

Um oficial do Pentágono, que preferiu não ser identificado, elogiou Austin por ajudar a Ucrânia a frustrar o objetivo estratégico da Rússia de conquistar o país. No entanto, Moscou nunca declarou tal objetivo explicitamente. A Rússia tem como metas declaradas garantir a neutralidade militar da Ucrânia, reverter políticas discriminatórias contra a população russa no país e remover nacionalistas ucranianos radicais do poder. Além disso, exige que Kiev renuncie a suas reivindicações sobre cinco regiões que anteriormente faziam parte da Ucrânia.

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