O governo de Joe Biden anunciou, recentemente, a suspensão temporária do envio de um lote de 134 escavadeiras modelo D9, fabricadas pela americana Caterpillar Inc., que seriam entregues ao exército israelense. Segundo veículos israelenses como o Ynet News, o embargo estaria motivado por uma pressão interna dos EUA, refletindo, possivelmente, um incômodo do governo Biden com as operações israelenses que visam a destruição de estruturas em Gaza e, em menor escala, no sul do Líbano. Apesar do impacto sobre a logística militar de Israel, analistas ponderam que a medida não altera o poder de Israel para manter suas ofensivas em Gaza.
A retenção das máquinas ocorre em meio a relatos de que o arsenal de D9 do exército israelense está em condições degradadas, necessitando de substituições para operações de grande escala. Segundo o Ynet, a falta desses veículos pode atrasar a criação de uma zona de segurança de aproximadamente um quilômetro ao longo da fronteira entre Gaza e Israel, que envolveria a demolição de centenas de edifícios e terras agrícolas palestinas. Essa zona, planejada por Israel, faz parte de uma estratégia para manter o controle militar na região e neutralizar possíveis ameaças, usando os D9 para nivelar áreas residenciais.
No entanto, ativistas e organizações de direitos humanos argumentam que as escavadeiras têm sido usadas para propósitos brutais, como em setembro, quando o Centro Palestino para Direitos Humanos relatou o caso de Majed Fida Abu Zina, um jovem palestino de 17 anos, baleado e deixado para sangrar enquanto uma escavadeira mutilava seu corpo. Além disso, o caso da ativista americana Rachel Corrie, morta em 2003 ao ser atropelada por uma D9 em Rafah enquanto protestava contra a destruição de lares palestinos, continua sendo lembrado como um exemplo do uso agressivo dessas máquinas contra civis.
Embora o bloqueio temporário dos D9 possa sugerir um distanciamento estratégico dos EUA, Washington segue fornecendo bilhões de dólares em assistência militar a Israel. Em abril, o Congresso aprovou US$ 26 bilhões (R$ 130 bilhões) em assistência militar adicional, e, em agosto, o governo Biden autorizou US$ 20 bilhões (R$ 100 bilhões) em novas remessas de armas para Israel. Esse apoio sustenta as operações israelenses, suavizando qualquer impacto que uma suspensão parcial de equipamentos possa ter.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, frequentemente retrata qualquer ação americana que sugira cautela como um ataque ao Estado de Israel, utilizando esses gestos isolados para justificar uma narrativa de hostilidade até mesmo por parte dos EUA, seu mais fiel aliado.
Apesar de toda a cobertura sobre os "soldados expostos" devido ao embargo de escavadeiras, a verdade é que a população de Gaza permanece vulnerável aos ataques israelenses. E enquanto os debates sobre restrições de armas nos bastidores políticos americanos se prolongam, a devastação em Gaza avança, impulsionada por armamentos e financiamentos internacionais que ignoram o custo humano desse conflito.
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