As curiosidades históricas e bizarras das posses presidenciais nos EUA

Na próxima segunda-feira, as atenções estarão voltadas para a posse de Donald Trump, que retorna à Casa Branca, marcando mais um capítulo da longa e peculiar história dessa tradição norte-americana. Confira alguns fatos inusitados que moldaram a cerimônia ao longo dos séculos:

Até 1937, as posses presidenciais eram realizadas em 4 de março, não em 20 de janeiro. Essa mudança foi aprovada pelo Congresso em 1933 para encurtar o período de transição entre presidentes.

Outro detalhe curioso envolve as bandeiras no Capitólio. O número de estrelas nelas varia de acordo com o estado de origem do presidente eleito, refletindo a ordem de entrada daquele estado na União. No caso de Trump, que concorreu por Nova York em 2020 e pela Flórida em 2024, as bandeiras apresentaram 13 e 27 estrelas, respectivamente.

Fatos singulares também marcam o juramento presidencial. John Quincy Adams, em 1825, foi o único a não jurar sobre a Bíblia. Já em 1977, Jimmy Carter se tornou o único a ser empossado usando seu apelido.

Martin Van Buren, empossado em 1837, foi o primeiro presidente a nascer após a independência dos EUA.

Um desfile de... pombos mortos?

Desde 1841, desfiles de posse são realizados regularmente. Contudo, em 1973, o segundo desfile de Richard Nixon ficou marcado por uma cena surreal: um repelente químico para afastar pombos causou a morte de vários pássaros, que caíram mortos ao longo da rota do desfile.

A primeira cerimônia presidencial de George Washington, em 1789, teve um banquete bastante solitário: ele jantou sozinho. Seu discurso inaugural em 1793 foi igualmente discreto, com apenas 135 palavras.

Barack Obama, em 2009, protagonizou um momento inusitado ao repetir um erro do juiz John Roberts durante o juramento. Para corrigir a falha, o juramento foi refeito mais tarde.

Inovações tecnológicas nas posses

As posses presidenciais também serviram de vitrine para os avanços tecnológicos:

  • James Buchanan (1857): primeira posse fotografada.
  • William McKinley (1897): primeira filmada.
  • Warren G. Harding (1921): chegou de carro, deixando cavalos para trás.
  • Harry Truman (1949): primeira posse televisionada.
  • John F. Kennedy (1961): transmitida em cores.
  • Bill Clinton (1997): transmitida ao vivo pela internet.

O impacto do clima

O clima já moldou muitas posses. A mais fria foi a de Ulysses S. Grant, em 1873, com temperaturas de -9°C. William H. Taft, em 1909, quase viu sua cerimônia ser cancelada devido à neve.

Tragicamente, o discurso de duas horas de William Henry Harrison, em 1841, sob um frio intenso e ventos gelados, teria contribuído para sua morte por pneumonia semanas depois – embora alguns historiadores apontem a febre tifóide como a real causa.

Mais recentemente, a posse de Joe Biden, em 2021, foi realizada sob forte segurança devido aos protestos no Capitólio e à pandemia de Covid-19, com 25.000 soldados e um público reduzido a poucos milhares de pessoas.

Desde 1989, as posses incorporaram uma tradição mais amigável: bilhetes escritos pelos presidentes que deixam o cargo aos seus sucessores. Ronald Reagan, por exemplo, deixou uma nota humorada a George H.W. Bush com a frase: "Não deixe os perus te derrubarem".

Comentários