A notícia de que Donald Trump e Vladimir Putin podem se reunir em Riad para discutir a paz na Ucrânia colocou a Europa diante de um dilema existencial: continuar abraçando os EUA como aliado inseguro ou buscar autonomia estratégica. O anúncio reacendeu na UE um debate comparável a um casamento em crise — será melhor insistir na relação ou partir para o divórcio?
De um lado, países como Polônia, República Tcheca e Romênia apostam em apertar os laços com Washington. A compra de caças F-35 (a R$ 1,2 bilhão por unidade) e a oferta de minérios críticos pela Ucrânia são moedas de troca para agradar Trump. Volodymyr Zelensky, ignorado na ligação Putin-Trump, tenta se equilibrar entre lobby desesperado em Washington e discursos em Munique pedindo “unidade europeia”.
Do outro, Emmanuel Macron lidera a defesa por uma “Europa poderosa”, capaz de garantir sua própria segurança. A ideia de enviar tropas à Ucrânia — mesmo que simbólicas — e a cúpula de IA em Paris são tentativas de mostrar músculos. “É hora de a UE deixar de ser um anão geopolítico”, disse o francês ao Financial Times, em clara provocação aos aliados transatlânticos.
Os obstáculos são monumentais:
- Alemanha, prestes a eleger a centro-direita CDU em 23 de fevereiro, hesita em abandonar o pacifismo;
- Orçamentos militares europeus são 30% menores que os americanos;
- A dívida pública alemã, sob o freio de ouro da CDU, limita investimentos;
- A dependência de tecnologia dos EUA em setores como IA e defesa cibernética é de 82%, segundo relatório de Mario Draghi.
Para analistas, a Europa vive um “dilema do caranguejo”: quer avançar, mas se arrasta para os lados. Enquanto Trump negocia com Putin como se a UE fosse um estorvo burocrático, Macron sonha em transformar o bloco em potência global — projeto que esbarra na falta de unidade e recursos.
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