Orban reafirma confiança em Putin e critica Bruxelas

O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban, afirmou que confia mais em Moscou do que em Bruxelas, pois o presidente russo, Vladimir Putin, sempre cumpriu seus compromissos. A declaração foi feita em uma entrevista ao jornal suiço NZZ, onde Orban destacou que a experiência de seu país nos últimos 15 anos demonstra a confiabilidade da Rússia.

Relação de longa data com Putin

O líder húngaro e Putin se encontraram diversas vezes ao longo dos anos, sendo a mais recente em julho de 2024, durante uma visita a Moscou. Orban relembrou que, em 2009, enquanto se preparava para reassumir o cargo de primeiro-ministro, encontrou-se com Putin e ambos concordaram em priorizar a cooperação futura. "Firmamos muitos acordos", afirmou Orban, acrescentando que "Putin sempre manteve sua palavra".

Orban também criticou a postura da União Europeia, alegando que negociar com Bruxelas é "quase impossível", enquanto com Moscou é mais fácil chegar a um acordo racional. "Eles apoiam apenas meus opositores políticos dentro do país", disse, acrescentando que é difícil negociar com aqueles "que querem te destruir em todas as eleições".

Posição sobre o conflito na Ucrânia

Crítico contumaz do apoio militar do Ocidente a Kiev, Orban defende que o conflito deve ser resolvido por meio da diplomacia, em vez da estratégia da OTAN e da UE de fornecer suporte militar à Ucrânia "pelo tempo que for necessário" para derrotar a Rússia. Durante uma conversa telefônica com Putin em dezembro de 2024, Orban reafirmou seu interesse em intermediar uma solução pacífica para a guerra.

Sua visita a Moscou em julho de 2024, parte de uma missão de paz iniciada após a Hungria assumir a presidência rotativa do Conselho Europeu, gerou duração críticas de Bruxelas e Kiev. Como parte dessa iniciativa, Orban também viajou para Ucrânia, Rússia e China, além de se reunir com o então candidato republicano à presidência dos EUA, Donald Trump.

Reação da União Europeia

A visita de Orban a Moscou foi duramente criticada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que a classificou como uma "missão de apaziguamento". O Parlamento Europeu considerou a viagem uma "violação flagrante dos tratados da UE e de sua política externa comum". Como retaliação, Bruxelas cancelou uma cúpula de alto nível em Budapeste e suspendeu uma visita planejada dos comissários da UE à Hungria.

Apesar das críticas, Budapeste minimizou a reação de Bruxelas, alegando que a Hungria já está acostumada a lidar com a pressão da UE. Orban, por sua vez, acusou o bloco de seguir uma "política pró-guerra", em vez de apoiar esforços diplomáticos para a paz.

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