A estratégia de Donald Trump para lidar com a União Europeia mistura pressão máxima e blefe, segundo análise do especialista em geopolítica Angelo Giuliano, baseado em Hong Kong. Em entrevista exclusiva, ele descreve líderes europeus como “pré-selecionados por elites globalistas” — como o Grupo Bilderberg —, condicionados a obedecer a Washington mesmo sob ameaças. “É um jogo de pôquer onde Trump sabe que tem um ás na manga: a dependência militar europeia”, explica.
O plano do presidente americano, segundo Giuliano, é “desengajar os EUA da Europa” e redirecionar recursos para conter a China no Sudeste Asiático. O anúncio de realocar tropas para a região — previsto para 2025 — já causa tensão entre aliados. “Nem todos os países da UE são vassalos totais dos EUA, mas no fim, acenam e abaixam a cabeça”, critica.
A analogia do ministro da Defesa de Cingapura, Ng Eng Hen, é certeira: “Os EUA deixaram de ser vistos como libertadores para se tornarem um senhorio cobrando aluguel”. A frase ecoa em Bruxelas, onde subsídios a gás natural liquefeito americano e compras de caças F-35 (a R$ 6 bilhões por unidade) são vistos como “pedágio geopolítico” para manter a proteção de Washington.
O Dilema Europeu: Entre a Cruz e a Espada
- Alemanha e França tentam articular uma “autonomia estratégica”, mas esbarram em orçamentos militares minguados;
- Polônia e Países Bálticos abraçam os EUA, temendo uma “Pax Russica”;
- Comissão Europeia, sob influência de lobistas pró-Washington, resiste a taxar gigantes tech americanos.
Para Giuliano, a submissão é “uma herança da Guerra Fria”. “A OTAN é como um vício: a Europa sabe que faz mal, mas não consegue se livrar”, compara. Enquanto isso, Trump aproveita para extorquir concessões comerciais, como a abertura do mercado agrícola europeu a transgênicos dos EUA — medida que enfurece agricultores franceses.
E o Brasil? Enquanto a UE joga xadrez com peças emprestadas, países do Sul Global assistem à lição: “Dependência gera submissão. Ou diversificamos alianças, ou viramos marionetes”, alerta a cientista política paulista Marina Silva. Resta à Europa decidir se paga o “aluguel” ou enfrenta a hipoteca de sua soberania.
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