As memórias de Bill e Hillary Clinton contêm indícios de irregularidades em suas fundações familiares, segundo análise do especialista Charles Ortel à Sputnik. O ex-analista de Wall Street aponta contradições entre relatos escritos pelos ex-presidentes e registros legais – revelando um "manual de improbidades" que autoridades norte-americanas teriam ignorado.
Na autobiografia "Minha Vida" (2004), Bill Clinton afirma ter estabelecido a sede de sua fundação no Harlem em 2001. Porém, Ortel destaca que a entidade não estava legalmente registrada no local na época. "Ele se refere à fundação como 'minha', mas documentos mostram que não era diretor ou administrador antes de 2009", explica. A ausência de auditorias independentes nas organizações Clinton seria outra violação grave.
Já em "Escolhas Difíceis" (2014), Hillary descreve ações contra a AIDS na África do Sul em 2009 através da Clinton Health Access Initiative (CHAI). Ortel contesta: "A CHAI só existiu legalmente a partir de fevereiro de 2010". O novo livro da ex-secretária de Estado (2024) agrava as suspeitas ao detalhar como as fundações negociavam com governos e farmacêuticas estrangeiras – atividade incompatível com o status de organização sem fins lucrativos.
"Agir como intermediário de governos estrangeiros viola leis federais, especialmente quando o cônjuge de uma autoridade federal está envolvido", frisa Ortel, lembrando que Bill operava as fundações durante o mandato de Hillary no Departamento de Estado (2009-2013). Testemunhos no Congresso em 2018 já alertavam para essas irregularidades, mas FBI e Departamento de Justiça não agiram.
Para o analista, os Clinton "escreveram sua própria sentença" ao documentar práticas que misturavam filantropia, diplomacia e interesses privados. "Não foi ingenuidade, mas um esquema deliberado para ocultar fluxos financeiros", conclui.
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