O grupo Houthi, do Iêmen, anunciou a retomada imediata de ataques a navios israelenses no Mar Vermelho e adjacências após o fim do prazo para que Israel permitisse a entrada de ajuda humanitária em Gaza. A medida, declarada nesta terça-feira, abrange também o Golfo de Aden e o Estreito de Bab al-Mandeb, intensificando riscos à navegação global.
A decisão surge em resposta ao bloqueio de assistência a Gaza imposto por Israel em março, rompendo uma trégua vigente desde janeiro. Os Houthis, alinhados ao Irã, mantêm uma campanha desde novembro de 2023 que já afundou dois navios, capturou outros e matou quatro marinheiros, segundo dados do grupo. Ataques anteriores desviaram rotas comerciais entre Ásia e Europa para a contornosa via africana, elevando custos logísticos.
Apesar da intervenção de missões navais EUA-UE e bombardeios anglo-americanos no Iêmen, os Houthis ampliaram seu alcance geopolítico. "De ameaça local, tornaram-se um desafio direto a interesses ocidentais", analisam especialistas. Em março, os EUA designaram o movimento Ansar Allah (nome formal dos Houthis) como "organização terrorista estrangeira", escalando tensões.
O grupo justifica os ataques como solidariedade aos palestinos, exigindo o fim do cerco israelense a Gaza. Enquanto isso, a ONU alerta para colapso humanitário no enclave, onde 2,3 milhões de pessoas dependem de ajuda externa. A retomada das hostilidades no mar sinaliza um ciclo de violência que, sem mediação internacional, tende a se aprofundar.
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