Operação de Segurança Encerrada: Controle Reestabelecido em Latakia e Tartous

O governo sírio anunciou o fim da operação de segurança na região ocidental costeira, área tradicionalmente marcada pelo apoio a Bashar al-Assad. O porta-voz Hassan Abdul Ghani informou, nesta segunda-feira, em declaração publicada na rede X, que as ameaças à segurança foram neutralizadas nas províncias de Latakia e Tartous. Segundo relatos, mais de 1.000 pessoas, incluindo inúmeros civis, perderam a vida durante os intensos dias de violência que mobilizaram a comunidade internacional. O Observatório Sírio dos Direitos Humanos apontou que, desde quinta-feira, cerca de 1.500 mortes foram registradas, a maioria ocorrendo na área dominada pela minoria alauíta.

O líder interino, Ahmed al-Sharaa do Hayat Tahrir al-Sham (HTS), comprometeu-se a identificar e punir os responsáveis pelos confrontos, além de criar uma comissão independente para investigar os episódios de violência de ambos os lados. Abdul Ghani também destacou que as forças de segurança colaborarão integralmente com essa comissão, garantindo acesso irrestrito para apurar os fatos, confirmar as informações e assegurar justiça para os afetados. Segundo ele, os ataques dos remanescentes do regime deposto foram absorvidos, com os agressores sendo afastados de pontos estratégicos, o que possibilitou o controle da maioria das principais vias.

Contudo, após um período de relativa calmaria após a queda de al-Assad em dezembro, a instabilidade voltou a crescer na Síria. Em Damasco, as forças de segurança repeliram um ataque a um posto de controle, conforme relatado por Resul Serdar, que informou a prisão de dois agressores enquanto outros conseguiram escapar, ressaltando a incerteza sobre a filiação dos envolvidos. Na costa do Mediterrâneo, confrontos iniciados na última semana, com ataques coordenados por forças pró-al-Assad, rapidamente evoluíram para execuções de vingança, resultando em estimativas de aproximadamente 1.000 civis mortos em ataques indiscriminados, com relatos de assassinatos brutais. Para retomar o controle, reforços foram enviados a Latakia e Tartous.

No âmbito das acusações, o Irã, aliado histórico de al-Assad, negou nesta segunda-feira qualquer envolvimento na violência. Alguns relatos midiáticos, inclusive de um canal de TV de origem saudita, insinuaram que o Irã e grupos aliados estariam por trás dos confrontos. O líder interino al-Sharaa atribuiu os episódios às tentativas dos remanescentes do antigo regime e de “partes estrangeiras” de reavivar a sedição e arrastar o país para uma nova guerra civil. Em resposta, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã rejeitou as acusações, classificando-as como “totalmente infundadas” e condenando os ataques contra minorias. Esmaeil Baghaei afirmou que “não há justificativa para os ataques” a minorias como os alauítas, cristãos, drusos e outros, enquanto o Ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, declarou que o Irã permanece como “observador” da situação na Síria, sem relações com o atual governo.

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