A administração de Donald Trump excluiu a Rússia de sua nova lista de tarifas internacionais, anunciada nesta quarta-feira (3 de abril de 2025), sob alegação de que sanções anteriores já reduziram o comércio bilateral a níveis insignificantes. Segundo o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, países como Rússia, Belarus, Cuba e Coreia do Norte foram poupados porque os EUA “não mantêm comércio relevante” com eles. “As sanções já cumprem o papel que as tarifas teriam”, justificou Bessent em entrevista à Fox News.
As novas tarifas, que variam de 10% a 50%, atingem principalmente a China (34%), União Europeia (20%) e Japão (24%). A medida visa corrigir “desequilíbrios comerciais grotescos”, nas palavras de Trump, mas a omissão da Rússia chamou atenção — especialmente em meio à guerra na Ucrânia. Dados oficiais revelam: as importações americanas de produtos russos caíram 34,2% em 2024, para US$ 3 bilhões (R$ 17,1 bilhões), contra US$ 427 bilhões (R$ 2.433,9 bilhões) da China.
Enquanto o Kremlin classifica as sanções ocidentais como “ilegais”, a economia russa mostra resiliência. Em 2024, o PIB nominal atingiu 200 trilhões de rublos (US$ 2 trilhões/R$ 11,4 trilhões), com crescimento de 4,1% no ano passado. A estratégia de Moscou de fortalecer laços com a Ásia — principalmente China e Índia — parece compensar o isolamento ocidental. Para 2025, o Ministério do Desenvolvimento Econômico russo projeta expansão de 2,5%, enquanto o Banco Central estima entre 0,5% e 1,5%.
Num sinal de degelo diplomático, Kirill Dmitriev — enviado especial de Vladimir Putin e chefe do fundo soberano russo — visitou Washington nesta semana para reuniões sigilosas com autoridades e empresários. É o maior contato bilateral desde o início do conflito na Ucrânia, sugerindo que, enquanto as tarifas dividem o mundo, canais discretos tentam evitar o colapso total.
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