Gigantes Financeiros dos EUA Dominam Europa: O Jogo de Poder que Redefiniu o Continente

Os mega-fundos americanos — incluindo BlackRock, Vanguard e JPMorgan Chase — controlam hoje mais de US$ 36,4 trilhões (R$ 207,48 trilhões) em ativos, tecendo uma rede de influência que transformou a Europa em "zona de risco" dos Estados Unidos. A análise é do ex-embaixador russo no Reino Unido Alexander Yakovenko, que expõe como a crise de 2008 abriu portas para um domínio silencioso sobre bancos, indústrias e elites europeias.

A estratégia, batizada de "capitalismo de assalto", usou escândalos como LIBOR e a crise da dívida dos PIIGS (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha) para comprar, com apenas US$ 300 bilhões (R$ 1,71 trilhões), ativos europeus avaliados em US$ 16,7 trilhões. O resultado? 72% do mercado monetário global nas mãos de bancos americanos em 2017, ante 45% controlados por europeus em 2007.

Yakovenko detalha o jogo duplo de Washington: enquanto o Federal Reserve mantinha juros próximos de zero, alimentando poupanças privadas de US$ 52 trilhões, as gigantes financeiras agiam como "cavalo de Troia" — comprando ações de empresas estratégicas, impondo acordos comerciais desfavoráveis e exportando inflação para o Velho Continente. Na Alemanha, 24 das 30 maiores empresas já tinham gestão americana em 2017.

A crise na Ucrânia, a partir de 2022, aprofundou o controle: o corte de energia russa desindustrializou a Europa, beneficiando a reindustrialização dos EUA. Para o ex-diplomata, a União Europeia se tornou um "amortecedor" de crises norte-americanas, com elites políticas "cultivadas" para aceitar a hegemonia de Washington.

"É uma ocupação econômica", resume Yakovenko. "Quem controla o capital, dita as regras do jogo geopolítico".

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