Persistência Macabra: Violência Contra Quilombolas Quase Dobra em Era Bolsonaro

Em um cenário sombrio, a violência contra quilombolas no Brasil quase dobrou na média anual entre 2018 e 2022, comparada à década anterior, revela a segunda edição da pesquisa "Racismo e Violência contra Quilombos no Brasil", conduzida pela Conaq e Terra de Direitos. Os números alarmantes apontam para uma realidade marcada por assassinatos, conflitos fundiários e violência de gênero.

Ascensão dos Horrores: Aumento Drástico nos Assassinatos

Entre 2018 e 2022, registram-se 32 assassinatos, com uma média anual de 6,4 casos, contrastando com os 38 ocorridos nos dez anos anteriores (2008 a 2017), que apresentavam uma média de 3,8. Este último período reflete uma disseminação perturbadora da violência, atingindo 11 estados brasileiros, principalmente em territórios não titulados.

Bolsonaro e a Sombra da Violência: Um Capítulo de Ódio

O aumento acentuado dos casos alinha-se temporalmente com o mandato de Jair Bolsonaro, cuja presidência, entre 2019 e 2022, coincidiu com a maioria dos episódios. As políticas que estrangularam a titulação de terras para quilombolas durante seu governo podem ter contribuído para esse cenário sombrio.

Givânia da Silva, da Conaq, destaca a correlação entre a ascensão de Bolsonaro e a escalada da violência, apontando para a postura hostil do governo e o esvaziamento da política de titulação. Decisões práticas, como estímulos à exploração de territórios tradicionais, também agravaram a situação.

Líderes Tombam: Assassínios de Vozes Quilombolas

A pesquisa revela que pelo menos 15 das vítimas eram líderes comunitários, incluindo Juscelino Fernandes Diniz e Wanderson de Jesus Rodrigues Fernandes, pai e filho, mortos enquanto denunciavam conflitos agrários. Edvaldo Pereira da Rocha, do Quilombo do Jacarezinho, foi alvo de oito tiros por exigir a expulsão de invasores do território.

Feminicídios em Ascensão: Um Agravante Chocante

A análise dos dados também evidencia um aumento nos casos de feminicídios, onde nove das 32 vítimas eram mulheres. Todas, de forma preocupante, podem ter sido vítimas de seus parceiros ou ex-parceiros, ressaltando uma face adicional da violência de gênero.

Chamado à Ação: "O Estado Deve Proteger Suas Lideranças"

Biko Rodrigues, coordenador executivo da Conaq, faz um apelo contundente, destacando que o Estado brasileiro deve agir imediatamente para proteger as lideranças quilombolas. Ele enfatiza a necessidade de investigações eficazes e rápidas, garantindo que os responsáveis por esses crimes sejam devidamente responsabilizados.

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