Tribunal Julgará Pedido de Censura de Lira a Reportagem da Agência Pública

Na próxima quarta-feira (3), o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) irá deliberar sobre um recurso apresentado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), relacionado à censura de uma reportagem da Agência Pública veiculada no ano passado. Nesta matéria, a ex-mulher do parlamentar, Jullyene Lins, o acusava de violência sexual.

O caso será analisado por cinco desembargadores da 6ª Turma Cível do tribunal, que examinarão a substância da decisão que, em setembro do ano passado, ordenou a retirada da matéria do ar, após o pedido ter sido rejeitado em primeira instância.

Inicialmente, a decisão do desembargador Alfeu Gonzaga Machado foi uma antecipação de tutela, o que significa que ele proferiu uma decisão preliminar antes de analisar os fundamentos do pedido. Agora, os desembargadores avaliarão o mérito do caso e decidirão se a matéria deve ou não permanecer disponível ao público.

O advogado Patrick Mariano, representante da Agência Pública, ressaltou a importância da garantia da liberdade de expressão. Ele enfatizou que a manutenção da censura representaria um sério retrocesso para a liberdade de imprensa no país, especialmente em questões tão relevantes quanto a violência contra a mulher.

A decisão do desembargador anterior considerava a reportagem como um "abuso do direito à liberdade de expressão", enfatizando a proteção do direito fundamental à intimidade em detrimento da liberdade de expressão.

Arthur Lira solicitou a retirada da matéria do ar e também está buscando uma indenização de R$ 100 mil por novas acusações contra ele. Essa ação faz parte de uma série de medidas do presidente da Câmara contra veículos de mídia progressistas.

A reportagem também aborda uma investigação judicial sobre Lira por suspeita de violência doméstica contra sua ex-esposa, baseada na Lei Maria da Penha, da qual ele foi absolvido pelo Supremo Tribunal Federal. A ação continua em tramitação na primeira instância, aguardando um desfecho.

Após a negativa do juiz em primeira instância em atender ao pedido de Lira, a defesa do presidente da Câmara recorreu à segunda instância e obteve a decisão do desembargador Alfeu Gonzaga pela retirada da matéria do ar.

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