Desvendando os Julgamentos de Bruxaria na Noruega: Uma Jornada Histórica

Descobertas Reveladoras da Historiadora Norueguesa

Uma pesquisa meticulosa conduzida pela historiadora Anne-Sofie Schjøtner Skaar, da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia (NTNU), lança luz sobre os obscuros julgamentos de bruxaria que assolaram a Noruega nos séculos 16 e 17. No auge da "caça às bruxas", cerca de 750 pessoas foram acusadas, a maioria pertencente ao povo Sámi, e aproximadamente 300 delas enfrentaram sentenças de morte, muitas vezes resultando em execuções públicas.

O foco da pesquisa de Schjøtner Skaar é o desfecho desses casos e como as práticas religiosas dos Sámi persistiram além desse período sombrio. A historiadora mergulha em relatos de missionários e registros de tribunal do condado de Nord-Trøndelag, enfrentando o desafio de decifrar manuscritos em caligrafia gótica, buscando compreender o desfecho gradual da acusação de bruxaria.

Evolução dos Julgamentos e o Declínio das Acusações

Durante os séculos 16 e 17, apesar da ilegalidade da tortura para obtenção de confissões e a impossibilidade de criminosos condenados atuarem como testemunhas, os julgamentos de bruxaria muitas vezes violavam essas normas. O uso de tortura era frequente, com as "bruxas" sendo coagidas a delatar supostos cúmplices, evidenciando uma interpretação seletiva da lei.

No final do século 17, a rigidez legal aumentou, demandando provas substanciais e rejeitando a tortura como método de investigação. A historiadora levanta questões pertinentes sobre a natureza evanescente de crimes imaginários como a bruxaria, quando a coerção para obter confissões não era mais tolerada pelo sistema judiciário.

Impacto da Conversão ao Cristianismo e a Missão de Von Westen

Com o declínio das acusações de bruxaria, missionários cristãos entraram em cena, substituindo o sistema judicial. Thomas von Westen, conhecido como Apóstolo Sámi, foi uma figura proeminente nesse processo. Ele introduziu uma anistia para os Sámi, incentivando uma conversão mais autêntica e pessoal ao cristianismo, além de atuar na supressão de práticas consideradas pagãs.

Contudo, a demonização da cultura Sámi persistiu, com missionários como von Westen confiscando artefatos cerimoniais e promovendo uma educação cristã forçada. O desaparecimento gradual das acusações de bruxaria não eliminou os estigmas religiosos associados aos Sámi, perpetuando ideias prejudiciais sobre suas crenças ancestrais.

A Intrigante História de Margareta Mortensdatter Trefot

Entre os casos emblemáticos analisados por Schjøtner Skaar está o de Margareta Mortensdatter Trefot, uma mulher acusada de práticas malignas de bruxaria. Suas audiências perante tribunais locais destacam a complexidade desses julgamentos e a persistência de crenças supersticiosas na sociedade norueguesa da época.

Embora muitos detalhes desses julgamentos tenham se perdido na história, o trabalho de Schjøtner Skaar revela as camadas profundas de opressão e resistência que moldaram essa era turbulenta na Noruega.

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