Israel Reduz Gaza em 32%, Aponta Investigação da Al Jazeera

Estudo revela destruição sistemática para criação de zonas tampão e eixos centrais

Uma investigação da Al Jazeera revelou que Israel tomou controle de aproximadamente 32% do território de Gaza, utilizando demolições sistemáticas de bairros para criar uma zona tampão e um eixo central que divide a área. Este cálculo exclui o Corredor Filadélfia na fronteira com o Egito, cuja ocupação por Israel foi anunciada na última quinta-feira.

As operações de destruição, realizadas por meio de ataques aéreos, bombardeios de artilharia e o uso de escavadeiras, transformaram rapidamente a paisagem de Gaza. De acordo com Martin Griffiths, subsecretário-geral para assuntos humanitários e coordenador de ajuda de emergência da ONU, "não há lugar seguro em Gaza" e a vida digna é "quase impossível". Griffiths também destacou que muitas pessoas não têm mais lares para onde retornar, caso consigam voltar.

Deslocamento e Devastação

Segundo dados das Nações Unidas, cerca de 85% da população de Gaza, ou aproximadamente 1,9 milhão de pessoas, foram deslocadas. Metade deste número ocorreu apenas neste mês. Comparando com o êxodo palestino de 1948, quando cerca de 700 mil palestinos foram expulsos de suas casas por forças sionistas para permitir a criação do Estado de Israel, a atual situação é ainda mais crítica. Desde 7 de outubro, mais de 36 mil palestinos foram mortos, superando em mais do que o dobro o número de vítimas entre 1947 e 1949. Muitos mais estão presumivelmente mortos sob os escombros.

A análise da Sanad, agência de verificação da Al Jazeera, utilizando imagens de satélite, indica taxas de destruição entre 80% e 90% nas áreas de 120 km² (46 milhas quadradas) que Israel tomou. O ataque israelense em Gaza continua, sugerindo que o território pode ser ainda mais reduzido.

Novos Limites e Destruição Generalizada

Um mapa elaborado pela Sanad mostra que as fronteiras de Gaza foram empurradas para dentro, com uma faixa de 1,5 km de largura que se estende por 6,5 km no meio da região, conhecida como eixo Nezarim, na área de Juhor ad-Dik. O estudo detalha a profundidade da destruição e a atividade de escavadeiras militares israelenses nas áreas fronteiriças e pelo centro de Gaza.

No norte de Gaza, a destruição na cidade de Beit Hanoon alcançou 2,5 km a partir da fronteira, enquanto em Beit Lahiya e no campo de refugiados de Jabalia, a destruição se estendeu por 5 km e 3 km, respectivamente. Nos campos de refugiados de Bureij e Maghazi, a destruição chegou a 1,7 km e 2 km a partir da fronteira.

A governadoria sul de Gaza é a mais afetada até agora. As áreas de Kissufim e Bani Suhaila, a leste de Khan Younis, viram a destruição se estender por 3,7 km e 4 km, respectivamente. Na cidade de Rafah, a devastação se estendeu por 5,1 km até o bairro de as-Salam.

Reação Internacional e Continuidade das Operações

O exército israelense alega que suas ações visam desarmar o Hamas, embora não tenha apresentado evidências verificáveis de que seus esforços estão surtindo efeito estratégico. Em 23 de janeiro, o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, declarou que os EUA se opõem a qualquer mudança permanente na composição territorial de Gaza e rejeitam o deslocamento permanente de sua população. No entanto, as operações de escavação e remoção continuam.

A Israel foi solicitada a disponibilizar 100 escavadeiras D9 para expandir e acelerar a criação da zona tampão. Segundo a Sanad, "esses achados revelam a metodologia colonialista do exército israelense, que está encolhendo a área de Gaza, criando novas fronteiras dentro das fronteiras e impondo-as como uma nova realidade dentro e fora da Faixa de Gaza sitiada."

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