Em um movimento significativo para fortalecer sua presença na Ásia-Pacífico, os Estados Unidos anunciaram um aporte de US$500 milhões em ajuda militar para as Filipinas. A decisão surge em um contexto de crescente tensão com a China, cuja assertividade na região tem provocado preocupações internacionais.
O anúncio foi feito na terça-feira, durante a visita do Secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, e do Secretário de Defesa, Lloyd Austin, a Manila. A visita faz parte de uma turnê pela Ásia-Pacífico, destinada a aumentar a influência de Washington na região e enfrentar o “desafio estratégico” representado por Pequim.
Blinken descreveu o auxílio como um "investimento único por geração" para modernizar as Forças Armadas e a Guarda Costeira das Filipinas. Ele destacou a importância do reforço na colaboração de segurança com o aliado mais antigo dos EUA na região.
"Estamos alocando US$500 milhões adicionais em financiamento militar estrangeiro para as Filipinas para fortalecer nossa colaboração de segurança com nosso mais antigo aliado na região", afirmou Blinken em uma coletiva de imprensa ao lado do Secretário de Relações Exteriores de Manila, Enrique Manalo, e do Secretário de Defesa, Gilbert Teodoro.
O Secretário de Defesa, Lloyd Austin, afirmou que os fundos demonstram o compromisso dos EUA em tomar “medidas ousadas para fortalecer nossa aliança”. Ele ressaltou que o nível de financiamento é sem precedentes.
O Secretário de Defesa filipino, Gilbert Teodoro, classificou a ajuda como um “impulso tremendo” para as capacidades de defesa de Manila. Por sua vez, Manalo elogiou o “compromisso inabalável” dos EUA com a aliança entre os dois países.
A modernização militar é uma prioridade para as Filipinas, que enfrentam uma série de confrontos no Mar do Sul da China, uma área reivindicada pela China e conhecida por Pequim como Mar da China Meridional. A China construiu ilhas artificiais equipadas com pistas de pouso militares e portos, e recentemente promulgou novas regulamentações permitindo que sua guarda costeira use força letal contra navios estrangeiros na região.
A reivindicação chinesa sobre a quase totalidade da via navegável estratégica se sobrepõe às reivindicações concorrentes de vários países vizinhos da ASEAN, incluindo Brunei, Malásia, Vietnã, além das Filipinas.
Diante das tensões, Manila iniciou a modernização de suas forças armadas, uma das mais frágeis da Ásia, e está fortalecendo sua guarda costeira. Os incidentes no Mar do Sul da China também geraram preocupações de que Washington poderia se envolver no conflito com Pequim devido a um tratado de defesa mútua com Manila.
Além disso, a proximidade das Filipinas com a região contestada e Taiwan as torna um parceiro-chave para os EUA caso um conflito eclodir na região. O financiamento anunciado faz parte de um fundo de US$2 bilhões para financiamento militar estrangeiro aprovado pelos EUA em abril.
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