Israel lançou ataques aéreos e de artilharia em Khan Younis, no leste de Gaza, logo após ordenar a evacuação de uma área designada como zona humanitária. Relatos indicam que pelo menos 30 pessoas foram mortas, conforme informaram autoridades de saúde em Gaza.
A população do enclave, já majoritariamente deslocada e em extrema necessidade de abrigo e alimento, encontra cada vez mais dificuldade em encontrar segurança, sendo empurrada para zonas "seguras" cada vez menores devido aos bombardeios israelenses.
Na segunda-feira, o exército israelense ordenou que as pessoas deixassem áreas incluindo a parte oriental da zona humanitária de al-Mawasi, no sul da Faixa de Gaza, alegando que uma operação seria realizada após o lançamento de um foguete em direção a Israel.
“As pessoas não tiveram sequer a oportunidade de evacuar,” relatou Hind Khoudary, da Al Jazeera, na cidade central de Deir el-Balah. “As forças israelenses iniciaram seus ataques aéreos e bombardeios de artilharia em Khan Younis logo após lançarem panfletos de ordem de evacuação.”
Ela destacou que o único hospital funcional de Khan Younis – o Complexo Médico Nasser – está recebendo um grande número de feridos, com médicos implorando por doações de sangue.
O exército israelense afirmou que seus ataques renovados na área, frequentemente invadida durante a guerra, são uma resposta às operações do Hamas. Em uma postagem no X, o exército de Israel acusou o Hamas de usar civis nos bairros de Khan Younis como “escudos humanos”, transformando a área em uma zona de perigo.
O exército israelense pediu aos residentes, muitos já deslocados várias vezes, que “imediatamente” se dirigissem mais para o oeste, na zona de evacuação de al-Mawasi. A ordem afeta mais de 400.000 pessoas, segundo a Defesa Civil Palestina.
Al-Mawasi também não está imune a ataques. No início deste mês, um grande ataque aéreo atingiu a área, matando mais de 90 civis, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza.
Esse ataque, que o exército israelense afirmou ter como alvo comandantes seniores do Hamas, foi descrito pelos abrigados na área como um “massacre horrível”, deixando mulheres e crianças mortas em seus abrigos e em pedaços.
“As pessoas sentem que os israelenses estão jogando um jogo de xadrez com elas, movendo-as de um lugar para outro, e nenhum lugar é seguro,” disse Khoudary.
A onda de ataques em Khan Younis ocorre enquanto o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, segue para Washington para discursar no Congresso dos EUA, que aprovou bilhões em ajuda militar a Israel durante a guerra. Também ocorre enquanto negociadores israelenses se preparam para reiniciar as conversas estagnadas de troca de prisioneiros na quinta-feira, segundo Netanyahu.
Desde o início da guerra, os ataques israelenses em Gaza mataram 38.983 pessoas e feriram quase 90.000, a grande maioria civis, reduzindo grande parte do enclave a escombros.
O Tribunal Internacional de Justiça (CIJ) determinou que Israel deve tomar medidas para evitar baixas civis e garantir a entrada de ajuda humanitária em Gaza, mas Israel rejeitou a decisão do tribunal.
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