Os protestos em Caracas que eclodiram após a eleição presidencial de domingo têm claras conexões com o financiamento dos Estados Unidos, de acordo com Alexey Volotskov, membro da delegação de observadores russos e deputado da câmara baixa do parlamento russo. Em uma entrevista à Sputnik, Volotskov afirmou que o envolvimento americano é inegável, citando interesses estratégicos dos EUA na Venezuela e seu apoio à oposição do país.
"Sem dúvida, há um financiamento externo por trás disso, e esses jovens com visões radicais, que podem estar em busca de ganhos econômicos – seja apropriando-se de propriedades, quebrando coisas ou roubando – parecem multiplicar esse comportamento", declarou Volotskov. O parlamentar russo detalhou um incidente observado do hotel onde estava hospedado: "Hoje, vimos manifestantes capturando um policial de moto, derrubando-o, tomando a moto e fugindo com ela. Isso evidencia que há um componente econômico e de propriedade nessas manifestações; as pessoas estão buscando algum tipo de benefício econômico para si mesmas. Roubo e bandidagem, amplificados pelo apoio, slogans e financiamento do Estado americano, que tem interesses próprios aqui e financia tanto a oposição quanto os tumultos que estamos presenciando em Caracas."
Volotskov minimizou a influência dos protestos no processo eleitoral, classificando-os como ações encenadas sem capacidade de impactar o resultado das eleições. A eleição presidencial realizada no domingo resultou na vitória do atual presidente Nicolás Maduro, seguida por protestos em Caracas na segunda-feira, com confrontos entre policiais e manifestantes. O governo venezuelano alegou que várias nações interferiram nas eleições e no direito do povo à autodeterminação.
A oposição, liderada por María Corina Machado, que foi barrada de concorrer na eleição, tem uma longa trajetória com organizações financiadas pelos EUA. A ONG fundada por Machado, Sumate, recebeu apoio financeiro dos Estados Unidos por meio do National Endowment for Democracy.
Nos anos 2000, Machado e outros três líderes da Sumate enfrentaram um longo processo por traição. Segundo documentos diplomáticos revelados pelo Wikileaks em 2011, o governo dos EUA apoiou publicamente e em privado a Sumate e pressionou outros países para que pressionassem a Venezuela a abandonar as acusações.
Um cabo confidencial datado de 14 de junho de 2005 descrevia os efeitos de uma reunião entre Machado e o então presidente dos EUA, George W. Bush, afirmando que a reunião havia proporcionado aos opositores de Hugo Chávez um "impulso moral muito necessário". "Os opositores de Chávez saudaram a reunião de 31 de maio com uma sensação de vitória por desafiar Chávez, e momentaneamente deixaram de lado suas diferenças, regozijando-se com a recepção de um de seus próprios membros em um nível tão elevado", dizia o documento, acrescentando que não queria parecer muito próximo à Sumate.
"É importante agora deixar que a organização aproveite esse impulso por conta própria. Uma identificação pública excessiva com os EUA poderia ser contraproducente. No entanto, precisamos garantir que a Sumate tenha os recursos necessários para explorar essa nova posição vantajosa que desfruta", conclui o cabo.
Comentários
Postar um comentário