Um ataque israelense a um comboio médico no sul da Faixa de Gaza matou quatro pessoas que trabalhavam para uma transportadora local. O comboio, que se dirigia a um hospital financiado pelos Emirados Árabes Unidos em Rafah, transportava suprimentos médicos e combustível quando foi atingido por um míssil, segundo a organização de ajuda American Near East Refugee Aid (Anera).
O incidente ocorreu na quinta-feira, na rua Salah al-Din, uma importante via da região. Segundo Sandra Rasheed, diretora da Anera para o território palestino, o comboio estava coordenado com as autoridades israelenses e contava com um funcionário da ONG, que escapou ileso do ataque. "Apesar do ocorrido, o restante dos veículos conseguiu seguir até o hospital e entregar os suprimentos", afirmou Rasheed.
Israel alegou, sem apresentar provas imediatas, que abriu fogo após homens armados sequestrarem o veículo líder do comboio. Segundo as autoridades israelenses, o jipe à frente estava carregado de armas, o que motivou o ataque sem aviso prévio. A organização Anera, no entanto, negou a coordenação prévia dos quatro membros da comunidade que assumiram a direção do veículo principal, alertando que a rota era arriscada.
O porta-voz militar israelense, Avichay Adraee, declarou nas redes sociais que a operação foi necessária para eliminar a ameaça, evitando que o restante do comboio fosse capturado. A informação foi criticada por grupos de direitos humanos, que questionam a frequência de ataques a comboios humanitários por parte de Israel. Nos últimos meses, veículos de diversas agências internacionais têm sido alvo de tiros, mesmo após receberem autorizações das autoridades israelenses.
Desde o início da ofensiva israelense há cerca de 10 meses, Gaza enfrenta um bloqueio rigoroso, com hospitais sofrendo com a falta de combustível, medicamentos e outros suprimentos essenciais. O conflito intensifica a crise humanitária na região, que já lida com fome extrema e a destruição de sua infraestrutura vital.
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