O recente aumento nos preços do gás natural na União Europeia tem uma origem imediata: a incursão da Ucrânia na região russa de Kursk e o ataque à estação de trânsito de Sudzha, que exporta gás russo para a Europa. Segundo o economista de petróleo internacional e especialista global em energia, Dr. Mamdouh G. Salameh, essa instabilidade é o principal fator que impulsiona o aumento dos preços do gás na região.
“Não se sabe como as forças ucranianas irão lidar com o ponto de trânsito. Elas continuarão permitindo o fluxo de gás para a UE ou interromperão? É essa incerteza que está por trás da alta dos preços do gás”, esclarece Salameh.
Outro fator significativo é o aumento da demanda por gás natural liquefeito (GNL) na China e na região da Ásia-Pacífico, que está gerando uma competição acirrada com a Europa por esses suprimentos. Salameh também destaca os atrasos nos embarques de GNL do projeto Arctic LNG 2 da Novatek, devido a sanções mais rigorosas dos EUA.
De acordo com Salameh, a situação atual pode beneficiar qualquer produtor de gás natural e GNL que consiga atender à demanda, incluindo a Rússia, desde que as forças ucranianas não destruam o ponto de trânsito estratégico ou interrompam o fluxo de gás russo. A Novatek também pode se beneficiar, se conseguir despachar GNL em breve.
Sobre as consequências desse aumento de preços, Salameh sugere que ele poderá acelerar o agravamento da situação econômica da UE. “Uma das razões é a competição com a Ásia pelo GNL disponível no mercado spot. Isso mergulhará a economia europeia em recessão”, detalha.
Enquanto isso, Rússia e Novatek podem se beneficiar com o aumento das vendas de gás russo para a Europa via Turk Stream e com o GNL da Novatek.
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