Brasil Perde 33% da Vegetação Nativa: Amazônia Responsável por Metade da Desflorestação

Um novo relatório do MapBiomas, divulgado na quarta-feira (21), revela que o Brasil perdeu um terço de sua vegetação nativa desde a chegada dos portugueses em 1500. Em 1985, ano do fim da ditadura militar, a perda de áreas naturais já correspondia a 20% do território nacional.

O estudo aponta que, nos últimos 39 anos, essa perda se expandiu em mais 13%, atingindo 33% em 2023. A Amazônia é responsável por metade desse total, equivalente a aproximadamente 55 milhões de hectares. Além das áreas florestais, o relatório avalia superfícies de água e áreas naturais não cobertas por vegetação, como praias e dunas.

Eduardo Vélez, pesquisador do MapBiomas, ressaltou, durante uma coletiva de imprensa, que o relatório é uma fonte abundante de dados para debates e planejamento do uso territorial do Brasil visando um futuro sustentável.

O estudo mapeou 29 categorias de uso da terra, incluindo formações de corais, uma novidade na Coleção 9 do estudo. O MapBiomas identificou que 64,5% do território nacional ainda é coberto por vegetação nativa, enquanto 32,5% está ocupado por atividades agrícolas, principal causadora da desflorestação no país.

Números Alarmantes

O estudo detalha a perda de vegetação em cada bioma brasileiro. O bioma que mais perdeu vegetação nativa foi a Amazônia, com uma redução de 14% nos últimos 39 anos, cobrindo cerca de 55 milhões de hectares. "Como resultado, a Amazônia brasileira possui hoje 81% de seu território coberto por florestas e vegetação nativa, muito próximo do ponto de não retorno estimado pelos cientistas, que varia entre 75% e 80% de cobertura", alerta o relatório.

O bioma do Cerrado perdeu 38 milhões de hectares de vegetação nativa no período analisado, o que representa uma redução de 27% em sua cobertura. No Pantanal, a maior redução foi na superfície de água, que caiu de 21% em 1985 para 4% em 2023.

O relatório também revela que, dos 27 estados brasileiros, apenas o Rio de Janeiro apresentou um pequeno aumento na cobertura de vegetação nativa, de 30% para 32%. Os demais 26 estados registraram perdas, sendo Rondônia o mais afetado, com a cobertura de vegetação nativa caindo de 93% em 1985 para 59% em 2023. Maranhão, Mato Grosso e Tocantins também apresentaram perdas significativas.

Atualmente, os estados com maior porcentagem de vegetação nativa são Amapá e Amazonas (ambos com 95%) e Roraima (93%). Já Sergipe (20%), São Paulo (22%) e Alagoas (23%) são os que possuem menor proporção de vegetação nativa.

Controle Ambiental

O relatório do MapBiomas também analisa as perdas e ganhos na cobertura de vegetação nativa desde 2008, quando foi criado o Fundo Amazônia e o decreto 6.514 estabeleceu multas para o descumprimento das normas ambientais previstas no Código Florestal.

Segundo o estudo, 18% dos municípios apresentaram estabilidade entre 2008 e 2023, com ganhos e perdas de vegetação abaixo de 2%. Em outros 37%, houve aumento na vegetação nativa. O bioma com maior percentual de municípios com aumento na vegetação nativa nos últimos 16 anos foi a Mata Atlântica, com 56%.

Os estados com maior percentual de municípios com ganho de vegetação nativa são Paraná (76%), Rio de Janeiro (76%) e São Paulo (72%). Já os estados com maior percentual de municípios com perda de vegetação são Rondônia (96%), Tocantins (96%) e Maranhão (93%).

O Brasil possui mais de 60 milhões de hectares de florestas públicas não designadas, que ocupam 13% da Amazônia Legal, com 92% de sua área coberta por vegetação nativa. Luís Oliveira, da equipe da Amazônia do MapBiomas, explica que essas áreas são mais suscetíveis à desflorestação do que aquelas sob algum regime de proteção, tornando urgente a sua destinação como territórios protegidos.

O estudo também mapeou pela primeira vez as formações de corais, identificando 20.400 hectares de recifes ao largo da costa leste do Brasil. A pesquisa conclui que, devido ao tempo de formação desses estruturas, não há variação significativa na área ocupada por eles de 1985 a 2023.

O projeto MapBiomas, que reúne universidades, ONGs e empresas de tecnologia, visa monitorar mudanças no uso e cobertura da terra no Brasil. Todos os dados, mapas, métodos e códigos do MapBiomas estão disponíveis gratuitamente no site do projeto. O lançamento oficial da Coleção 9 aconteceu em Brasília, durante o Seminário Anual do projeto, com a presença da Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.

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