Conflito se Agrava: Israel e Hezbollah Intensificam Troca de Ataques

Em um cenário de escalada contínua, Israel lançou ataques aéreos no sul do Líbano no domingo, alegando agir de forma "preventiva" para impedir um ataque iminente do Hezbollah a cidades no norte do país. A tensão, que já vinha se acirrando desde o início do conflito em Gaza, atingiu um novo patamar com a troca de ofensivas entre os dois lados.

O Hezbollah, por sua vez, declarou ter realizado com sucesso uma operação de retaliação contra Israel, em resposta ao assassinato do comandante Fuad Shukr no final de julho. Em um discurso transmitido pela televisão, o líder do grupo, Hassan Nasrallah, desmentiu as alegações israelenses de que os ataques haviam frustrado a ação do Hezbollah. Nasrallah afirmou que todos os foguetes e drones foram lançados conforme o planejado.

O grupo libanês disparou mais de 320 foguetes Katyusha em direção a 11 bases militares israelenses, incluindo uma instalação de inteligência em Glilot, próxima a Tel Aviv, e a base de Meron, além de quatro locais nas Colinas de Golã, território ocupado por Israel.

O correspondente da Al Jazeera no Líbano, Zeina Khodr, relatou que os ataques israelenses se concentraram em uma faixa de 5 km ao longo da fronteira de 120 km entre os dois países. A área foi declarada zona militar e evacuada, com repetidas ofensivas israelenses nos últimos meses.

O exército israelense afirmou que 100 jatos bombardearam milhares de lançadores de foguetes do Hezbollah no sul do Líbano, meia hora antes do suposto ataque do grupo. Nasrallah, no entanto, qualificou essa declaração como uma tentativa israelense de ocultar os danos sofridos.

Entre os impactos mais graves, o exército israelense confirmou a morte de um membro da marinha em combate no norte de Israel, enquanto dois outros ficaram feridos. No Líbano, a agência de notícias NNA reportou que um ataque de drone israelense em Qasimia deixou uma pessoa gravemente ferida, e outro bombardeio matou uma pessoa na cidade de Khiam.

O ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, decretou uma "situação especial" em todo o país por 48 horas, a partir das 6h de domingo (03:00 GMT). Como medida de precaução, o aeroporto Ben Gurion foi temporariamente fechado e restrições foram impostas a civis no norte de Israel e nas Colinas de Golã.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu reforçou o compromisso de Israel em se defender, declarando: "Quem nos fere, nós ferimos". Ele também alertou que a situação ainda não está resolvida e que os líderes do Hezbollah e do Irã devem entender que Israel está determinado a proteger seus cidadãos e restaurar a segurança no norte do país.

Apesar das tensões em alta, analistas apontam que tanto Israel quanto o Hezbollah parecem estar tentando evitar uma guerra em grande escala. A perspectiva de um conflito regional amplo preocupa a comunidade internacional, especialmente após os recentes assassinatos de figuras-chave do Hamas e do Hezbollah, atribuídos a Israel.

O governo dos Estados Unidos reafirmou seu apoio ao direito de Israel de se defender, com o presidente Joe Biden instruindo seus oficiais a manterem contato contínuo com seus homólogos israelenses.

Enquanto isso, o Egito sediou novas rodadas de negociações com o objetivo de encerrar a guerra de Israel em Gaza, que já dura 11 meses. O Hezbollah indicou que poderia cessar as hostilidades se um cessar-fogo fosse alcançado, embora até o momento não haja sinais de um acordo diplomático em andamento.

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