O Secretário de Defesa dos Estados Unidos, Lloyd Austin, fez uma declaração pública sobre sua decisão de revogar acordos de confissão controversos estabelecidos entre os promotores e três indivíduos acusados de planejar os ataques de 11 de setembro de 2001. Austin, em seu primeiro pronunciamento sobre o assunto na terça-feira, afirmou que sua decisão não foi tomada levianamente e visou honrar a magnitude da tragédia daquele dia.
Em um evento realizado em Annapolis, Maryland, com oficiais australianos, Austin destacou que sempre acreditou que as famílias das vítimas, os membros das Forças Armadas e o público americano mereciam a oportunidade de ver os tribunais militares em ação. "Foi uma decisão difícil, mas necessária para respeitar a perda incomensurável que ocorreu", disse Austin.
No dia 31 de julho, o Pentágono anunciou que foram alcançados acordos de confissão com três dos cinco supostos conspiradores detidos no centro de detenção de Guantánamo, acusados de orquestrar o ataque mais mortal em solo americano na história do país. Nesse trágico evento, quase 3.000 pessoas perderam a vida quando aviões sequestrados atingiram alvos em Nova York e Washington, DC, e um quarto avião caiu em um campo após passageiros enfrentarem os sequestradores.
Os acordos envolviam o alegado mentor Khalid Shaikh Mohammed, assim como os cúmplices Walid bin Attash e Mustafa al-Hawsawi. Um quarto réu não concordou com os termos, e um quinto homem foi considerado mentalmente inapto para continuar o julgamento no ano passado. Os acordos, descritos como "acordos pré-julgamento", permitiriam que os réus se declarassem culpados em troca de uma sentença de prisão perpétua em vez da pena de morte, segundo reportagens da mídia americana.
Esses acordos haviam sido recebidos por alguns como a única forma viável de resolver os casos de 11 de setembro, que estavam paralisados há anos devido a disputas legais. J. Wells Dixon, advogado do Center for Constitutional Rights, que representou réus em Guantánamo e outros detidos que foram inocentados, criticou Austin por ceder à pressão política e, em sua opinião, empurrar alguns membros das famílias das vítimas para um "precipício emocional" com a revogação.
A decisão de Austin também causou indignação entre alguns familiares das vítimas e legisladores republicanos, que acusaram a administração do presidente Joe Biden de tratar os réus com demasiada leniência. Segundo a secretária de imprensa do Pentágono, Sabrina Singh, Austin foi surpreendido pela decisão e não foi consultado previamente sobre os termos dos acordos.
Na sexta-feira, um comunicado lacônico do Secretário de Defesa anunciou a retirada dos acordos pré-julgamento. Austin também revelou que Susan Escallier, a oficial responsável pela comissão militar que havia assinado os acordos, foi destituída de sua autoridade para entrar em acordos pré-julgamento, com Austin assumindo agora a responsabilidade pelo caso.
O Conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Jake Sullivan, confirmou que a administração Biden não teve papel nos acordos, afirmando que a Casa Branca soube da decisão no mesmo dia em que foi anunciada. Sullivan destacou que o presidente, a vice-presidente e ele próprio não tiveram envolvimento no processo, sem explicar por que os acordos foram acordados e anunciados sem consulta prévia.
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