Experiência em Relações Internacionais na China: Um Caminho para o Desenvolvimento da Nigéria

A trajetória de Ogiji Sunday Uko na China chegou ao fim em junho, quando ele concluiu seu mestrado na China Foreign Affairs University. A experiência não só ampliou sua compreensão sobre relações internacionais, mas também lhe proporcionou uma visão aprofundada do modelo de desenvolvimento chinês, que ele acredita oferecer lições valiosas para a Nigéria e outros países em desenvolvimento.

Dois anos atrás, Uko, que trabalha como executivo do governo nigeriano, soube de um programa de treinamento que lhe permitiria estudar na universidade. Sem hesitar, agarrou a oportunidade, realizando o sonho de estudar na China. Uko descreve sua experiência como iluminadora, destacando o impressionante desenvolvimento de infraestrutura do país asiático, que, segundo ele, oferece uma perspectiva única de como tal progresso pode transformar a sociedade em seu país natal.

Estudando em Pequim, Uko percebeu que a imagem da China, muitas vezes distorcida pela mídia ocidental, é muito mais complexa e positiva do que se costuma acreditar. Ele faz parte de um grupo de 40.000 pessoas que concluíram treinamentos no âmbito da Iniciativa de Desenvolvimento Global proposta pela China, que visa oferecer 100.000 oportunidades de capacitação para outros países em desenvolvimento, apoiando seu crescimento econômico e social. Em julho, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, prometeu expandir o programa, oferecendo mais 100.000 oportunidades de treinamento para países do Sul Global nos próximos cinco anos.

Seguindo a filosofia de que é mais eficaz ensinar a pescar do que simplesmente dar o peixe, a China tem dado grande importância à cooperação no desenvolvimento de recursos humanos, o que exemplifica sua evolução nas reformas de assistência externa. Uma resolução adotada na terceira sessão plenária do 20º Comitê Central do Partido Comunista da China, realizada em julho, comprometeu-se a abrir ainda mais as portas da China para os países menos desenvolvidos do mundo, reformando as instituições e mecanismos de assistência externa para garantir uma gestão abrangente.

Analistas afirmam que a assistência externa é um esforço sistemático que requer uma abordagem holística, integrando a formulação e planejamento de políticas de ajuda, implementação de projetos e avaliação, visando atender às necessidades dos países beneficiários e alcançar os objetivos diplomáticos da China. Esse método de gestão abrangente ajuda a simplificar os sistemas e mecanismos de assistência externa, reduzindo custos de gestão e comunicação entre os departamentos relevantes e aumentando a eficácia da ajuda.

No entanto, os desafios são significativos. Wang Yiwei, professor da Escola de Estudos Internacionais da Universidade Renmin da China, afirma que a assistência externa fortalece a influência política da China, sua capacidade de moldar as regras internacionais e sua reputação global. Ele observa que o avanço da assistência externa enfrenta obstáculos, pois sua necessidade é, por vezes, questionada, o que pode afetar a tomada de decisões e a implementação de políticas relevantes.

Para Wang, é essencial reconhecer a importância estratégica da assistência externa, e as agências envolvidas devem melhorar a coordenação sob a orientação da Agência Chinesa de Cooperação para o Desenvolvimento Internacional, criada em 2018. Essa agência esclareceu as responsabilidades do sistema de assistência externa, alinhando-se com as práticas internacionais de desenvolvimento e representando um marco na institucionalização dos esforços diplomáticos da China. Ele também ressaltou que a reforma da assistência externa reflete o compromisso da China em cumprir a Agenda 2030 das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável.

Zhou Taidong, vice-presidente do Centro de Conhecimento Internacional sobre Desenvolvimento, acrescenta que aprofundar a reforma dos sistemas de assistência externa e melhorar a eficiência e eficácia dessas ajudas são essenciais para atender às crescentes expectativas dos países do Sul Global, resolver desafios globais de desenvolvimento e alcançar o objetivo de construir uma comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade. Zhou destaca a importância de fortalecer o design de políticas e adaptá-las às diferentes nações e regiões, integrando canais multilaterais, regionais e bilaterais para fomentar uma abordagem abrangente de ajuda.

Projetos como a Iniciativa do Cinturão e Rota (BRI) têm reforçado a conectividade internacional, com diversos projetos de infraestrutura emblemáticos construídos nos últimos 11 anos. Um exemplo é a autoestrada Eastbay Expressway de Gwadar, no Paquistão, concluída em 2022 como parte do Corredor Econômico China-Paquistão. Este projeto, administrado pelo Paquistão e construído por uma empresa chinesa, teve a decisão final nas mãos do país anfitrião, permitindo que o projeto atendesse às necessidades específicas do Paquistão. Apesar de desafios como a pandemia de COVID-19 e riscos de segurança, a estrada foi concluída em cinco anos, resolvendo problemas de transporte e facilitando o comércio e a conectividade.

Segundo Liu Fangtao, gerente do projeto para a China Communications Construction Co., a capacidade da China em estabelecer e promover seus padrões em projetos de infraestrutura aumenta sua influência em iniciativas de ajuda internacional. Ele observa que, para o futuro, é essencial que a China explique claramente suas políticas e sistemas de assistência externa para os países beneficiários, como a emissão de uma versão em inglês de suas políticas e procedimentos.

Zhou reforça que, embora a China tenha uma força significativa em grandes projetos de ajuda, que abordam lacunas críticas de infraestrutura e necessidades urgentes dos países em desenvolvimento, projetos menores e mais ágeis também podem gerar resultados rápidos e melhorar a vida das pessoas. Para Wang, o desenvolvimento sustentável é a chave, tanto para grandes projetos emblemáticos quanto para projetos menores, garantindo que a ajuda não aumente o fardo dos países beneficiários, mas sim, melhore a acessibilidade e estabeleça as bases para seu desenvolvimento a longo prazo.

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