Um novo estudo revelou que a enigmática Pedra do Altar, situada no centro do icônico monumento de Stonehenge, foi transportada de uma distância impressionante de 750 km da Escócia até a Planície de Salisbury, no sul da Inglaterra. Por décadas, acreditava-se que essa pedra de arenito tivesse origem no País de Gales, mas a pesquisa publicada na revista Nature demonstrou que a pedra provém da Bacia Orcadiana, no nordeste da Escócia.
Stonehenge, um dos sítios arqueológicos mais famosos do mundo, é composto por uma série de pedras de diferentes origens. As pedras eretas de arenito vêm de Marlborough, uma região relativamente próxima, enquanto as bluestones, dispostas próximas ao centro, foram trazidas do País de Gales. No entanto, a Pedra do Altar, uma laje única que se encontra deitada no coração do círculo, sempre foi um enigma para os cientistas.
Uma Descoberta Surpreendente
Os pesquisadores ficaram surpresos com a descoberta. "Não acreditamos quando vimos os resultados", declarou Anthony Clarke, doutorando em geologia na Curtin University, na Austrália, e autor principal do estudo. O resultado foi ainda mais chocante, pois nenhuma outra pedra de monumentos da mesma época foi transportada de tão longe.
Por mais de um século, acreditava-se que a Pedra do Altar vinha de uma região muito mais próxima, no País de Gales. Contudo, todas as tentativas de confirmar essa hipótese falharam, segundo Richard Bevins, professor da Universidade de Aberystwyth e coautor do estudo. A equipe então decidiu expandir a pesquisa para outras regiões e, com a ajuda de uma análise química, determinaram que a pedra vinha da Escócia.
Como Transportaram a Pedra?
A descoberta levanta novas questões sobre as capacidades logísticas e sociais das sociedades pré-históricas. Transportar uma pedra de seis toneladas ao longo de 750 km sugere um nível de organização e conectividade notável para a época, cerca de 2.500 a.C. "É um feito extraordinário", comentou Nick Pearce, também da Universidade de Aberystwyth.
A equipe usou lasers para analisar os cristais dentro da Pedra do Altar, determinando sua origem através da proporção de urânio e chumbo nas rochas, que funcionam como "relógios em miniatura". A comparação dos dados obtidos com outros tipos de rochas no Reino Unido permitiu identificar com grande certeza a origem escocesa da pedra.
Conexões entre o Norte e o Sul da Grã-Bretanha
Susan Greaney, arqueóloga da Universidade de Exeter, no Reino Unido, que não participou do estudo, afirmou que esta pesquisa estabelece o primeiro vínculo direto entre o sul da Inglaterra e o norte da Escócia durante o período em que Stonehenge foi construído. "A colocação desta pedra no centro do monumento, alinhada com o eixo do solstício, mostra que eles consideravam essa pedra, e a conexão com a área ao norte, de importância crucial", explicou.
A descoberta abre novas portas para entender as motivações e as habilidades das pessoas que construíram Stonehenge, e os cientistas agora esperam descobrir exatamente como essa pedra fez sua longa jornada até o local onde repousa há milênios.
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