Tensão Humanitária em Gaza: ONU Luta para Manter Operações em Meio a Ordens de Evacuação Israelenses

A situação na Faixa de Gaza, já devastada pela guerra, tornou-se ainda mais caótica com as recentes ordens de evacuação emitidas por Israel, que forçaram a ONU a abandonar seu centro de operações humanitárias pela segunda vez desde o início do conflito. Essas evacuações estão prejudicando gravemente os esforços de socorro da organização, que luta para fornecer ajuda em um ambiente de risco extremo.

Na segunda-feira, um alto funcionário da ONU, que preferiu manter o anonimato, revelou que as operações humanitárias foram praticamente paralisadas devido às novas ordens israelenses de evacuação, o que resultou no fechamento do principal centro de operações da ONU em Gaza. No entanto, na terça-feira, o porta-voz da ONU, Stephane Dujarric, moderou as declarações, afirmando que as condições em Gaza, na segunda-feira, tornaram "extremamente difícil" o trabalho da organização, mas que "estamos fazendo o que podemos com os recursos disponíveis".

Dujarric enfatizou que a entrega de ajuda em Gaza é um esforço contínuo e complexo, ajustado diariamente de acordo com as oportunidades que surgem, muitas vezes avaliadas "hora a hora". O centro humanitário da ONU, que já havia sido deslocado para Deir el-Balah, no centro de Gaza, teve que ser evacuado novamente no domingo, após ordens do exército israelense.

De acordo com a OCHA, agência de emergência da ONU, desde sexta-feira, ordens de evacuação foram emitidas para 19 bairros no norte de Gaza e em Deir el-Balah, afetando 15 instalações onde residiam funcionários da ONU e de ONGs, juntamente com suas famílias. As evacuações também afetaram quatro armazéns de suprimentos de ajuda da ONU, um reservatório de água, uma planta de dessalinização, três poços, duas pequenas unidades de saúde e um hospital. Além disso, 29 abrigos de emergência para pessoas deslocadas estavam localizados nessas áreas afetadas.

O chefe de segurança da ONU, Gilles Michaud, expressou preocupação com o curto prazo de aviso dado pelo exército israelense para que mais de 200 funcionários da ONU se retirassem de seus escritórios e alojamentos em Deir el-Balah, destacando que o momento da evacuação é crítico, considerando uma grande campanha de vacinação contra a poliomielite que estava prestes a começar e que exige a presença de um número significativo de funcionários da ONU em Gaza.

"A ONU está determinada a permanecer em Gaza", afirmou Michaud em comunicado, destacando que a entrega de ajuda humanitária continua, apesar dos riscos cada vez mais intoleráveis. Ele classificou as ordens de evacuação em massa como mais uma ameaça insuportável à segurança do pessoal humanitário.

O Comitê Internacional de Resgate (IRC) declarou que as novas ordens de evacuação israelenses obrigaram a organização e outros grupos humanitários a "suspender suas operações de ajuda, em uma situação já extremamente crítica para os civis". O IRC pediu a todas as partes envolvidas no conflito que protejam os civis e permitam o acesso humanitário em todas as circunstâncias.

O contexto dessa crise remonta a 7 de outubro do ano passado, quando combatentes do Hamas invadiram comunidades israelenses, matando cerca de 1.100 pessoas e sequestrando aproximadamente 250. Desde então, as forças armadas de Israel têm devastado grandes áreas da Faixa de Gaza, forçando quase toda a população de 2,3 milhões de pessoas a abandonar suas casas, resultando em fome, doenças mortais e na morte de pelo menos 40.000 pessoas, de acordo com autoridades de saúde palestinas.

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