O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, pediu uma solução diplomática em meio à escalada do conflito entre Israel e o grupo libanês Hezbollah, após o exército israelense ter realizado um intenso bombardeio que deixou centenas de mortos no Líbano. Falando durante a Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU) na terça-feira, Biden ressaltou que um "conflito em larga escala" não seria do interesse de nenhuma das partes envolvidas.
Nos últimos meses, Biden tem enfrentado pressões para condicionar o apoio de seu governo a Israel, principalmente devido à guerra em Gaza, que já resultou na morte de mais de 41.400 palestinos. No entanto, ele se manteve firme em sua postura de apoio incondicional a Israel, atraindo críticas por sua suposta omissão em pressionar o governo israelense por um cessar-fogo.
Na mesma terça-feira, o Ministério da Saúde do Líbano informou que, até aquele momento, 569 pessoas, incluindo 50 crianças, haviam sido mortas e 1.835 ficaram feridas nos bombardeios israelenses no país. A Faixa de Gaza também continuava sendo alvo de ataques, com pelo menos 37 mortos ao longo do dia, segundo dados do Corpo de Defesa Civil Palestino.
Apesar das críticas de que seu governo está fomentando uma escalada, Biden reiterou sua posição durante a AGNU. Ele apelou para que Israel e Hamas cheguem a um acordo de cessar-fogo, que também contemplaria a libertação de reféns israelenses detidos na Faixa de Gaza. Especialistas, no entanto, apontam que a falta de pressão de Biden sobre o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, tem contribuído para o agravamento da situação no Oriente Médio.
Marwan Bishara, analista sênior da Al Jazeera, destacou que, embora Biden declare não querer uma expansão regional do conflito, os Estados Unidos continuam apoiando a máquina militar israelense. Segundo Bishara, "Netanyahu está levando a região à beira de um desastre, e os EUA estão financiando, protegendo e armando Israel".
Abdallah Bou Habib, ministro das Relações Exteriores do Líbano, também expressou sua frustração com o discurso de Biden sobre o Oriente Médio, considerando-o insuficiente e incapaz de trazer soluções para o Líbano.
Apoio à Ucrânia
Além do conflito no Oriente Médio, Biden também usou seu discurso na ONU para reafirmar o apoio dos EUA à Ucrânia em meio à invasão russa. Desde o início da guerra em 2022, Washington já enviou dezenas de bilhões de dólares em ajuda militar e humanitária para Kyiv.
“O principal objetivo de Putin com a guerra falhou. Ele queria destruir a Ucrânia, mas a Ucrânia permanece livre”, afirmou Biden. O presidente norte-americano destacou que os Estados Unidos não vão reduzir sua assistência ao país até que uma paz justa e duradoura seja alcançada.
Contudo, essa ajuda pode estar em risco caso o ex-presidente Donald Trump, que defende o corte de suporte à Ucrânia, vença as eleições de novembro. Trump criticou duramente a administração Biden, dizendo que ela não tem um plano para encerrar o conflito. Em um comício na Geórgia, ele afirmou que os EUA devem "sair da guerra na Ucrânia" e acusou Biden e a vice-presidente Kamala Harris de terem envolvido o país nesse conflito sem uma estratégia de saída.
A pressão por uma resposta mais contundente também veio do presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy, que tem solicitado que os EUA flexibilizem o uso de mísseis de longo alcance fornecidos pelo Ocidente, permitindo que a Ucrânia atinja alvos dentro do território russo e interrompa linhas de abastecimento.
Biden e Harris devem se reunir com Zelenskyy em Washington, onde o líder ucraniano também se encontrará com membros democratas e republicanos do Congresso para discutir o futuro do apoio norte-americano à Ucrânia.
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