A tensão entre Israel e o Hezbollah está à beira de uma guerra total após o assassinato do líder de longa data do grupo libanês. Em uma análise sobre a crescente violência, o especialista iraniano-americano em assuntos internacionais, Dr. Mohammad Marandi, comentou ao Sputnik as possíveis consequências do conflito e o que se pode esperar a seguir.
Segundo Marandi, o Hezbollah possui milhares de quilômetros de túneis subterrâneos espalhados pelo sul e centro do Líbano, além de possíveis estruturas no norte do país. Ele descreveu essas instalações como muito mais sofisticadas do que os sistemas usados pelo Hamas e pela Jihad Islâmica na Faixa de Gaza. Essa rede de túneis poderia representar um desafio substancial para uma eventual invasão terrestre israelense, que teria sido planejada após a morte de Hassan Nasrallah, o líder do Hezbollah, assassinado no início da semana.
Marandi destacou que o Hezbollah dispõe de armamentos avançados, muito mais eficazes do que aqueles disponíveis para os militantes palestinos em Gaza. "O Líbano não esteve cercado como Gaza. O país é muito maior e o terreno é mais propício para a defesa", explicou Marandi, prevendo que, caso Israel decida invadir o território libanês, enfrentará "um inferno". Ele também lembrou o histórico do Hezbollah em repelir forças israelenses, tanto durante a ocupação dos anos 80 quanto na Guerra do Líbano de 2006.
Sobre o impacto do assassinato de Nasrallah, Marandi reconheceu a perda como significativa, mas enfatizou que ela apenas fortalecerá a resistência e motivará o Hezbollah a "reagrupar-se e contra-atacar com mais força". Segundo ele, o movimento de resistência não depende de uma única figura, e o assassinato do líder pode acabar sendo um erro estratégico de Israel. "Ao matar Nasrallah, os israelenses fizeram algo que vão se arrepender, mesmo que ainda não compreendam isso."
Quanto à postura agressiva do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, Marandi sugeriu que suas ações refletem desespero. O especialista apontou uma série de fracassos militares e políticos de Netanyahu em Gaza, Cisjordânia, Síria e até no Mar Vermelho, onde os americanos lutaram sem sucesso em nome de Israel. "Ele precisa de uma guerra para preservar seu poder, e pode escalar ainda mais o conflito para garantir sua sobrevivência política", analisou Marandi.
Por fim, o comentarista alertou que a resposta do Hezbollah e de seus aliados na chamada "Eixo da Resistência", incluindo o Irã, é iminente. "Sem dúvida, o Irã punirá o regime israelense. O Eixo da Resistência, como um todo, agirá", concluiu.
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