Protestos em Israel expõem indiferença à tragédia em Gaza

Desde o início da operação "Borda Protetora" em 2014, a realidade de Gaza se transformou em um teatro de guerra ao vivo para israelenses, com espectadores levando cadeiras de camping e até pipoca para assistir aos ataques aéreos, celebrando a destruição com entusiasmo. Agora, nove anos depois, Israel vive um novo capítulo de violência que atingiu níveis de genocídio, com milhares de palestinos mortos. Contudo, os protestos contra o governo de Benjamin Netanyahu, que ganharam força com 700 mil pessoas nas ruas e uma greve geral, não buscam pôr fim ao massacre. A prioridade é outra: a libertação de aproximadamente 100 israelenses mantidos como reféns em Gaza.

Embora alguns observadores internacionais tenham sugerido que os protestos refletem um desejo de paz, a realidade é mais complexa. O analista Nimrod Flaschenberg, em entrevista à Al Jazeera, resumiu bem a questão: "O retorno dos reféns é o centro das manifestações". O apelo pela vida dos reféns, cujas condições são resultado direto da política israelense em Gaza, contrasta com a ausência de preocupação com as vítimas palestinas.

Recentemente, um episódio do podcast "Two Nice Jewish Boys" refletiu o extremo da retórica vigente, ao sugerir, com aparente desdém, a aniquilação completa de Gaza e da Cisjordânia. Esse tipo de discurso, que trivializa o genocídio, se encaixa em uma mentalidade que valoriza exclusivamente a vida israelense, enquanto o sofrimento palestino é tratado como um ruído de fundo da ocupação militar.

Durante a operação de resgate em junho deste ano, que libertou quatro reféns em Gaza, mais de 210 palestinos foram mortos. E enquanto Netanyahu culpa o Hamas pela morte de seis reféns, sua administração continua a sabotar qualquer tentativa de cessar-fogo. Os protestos contra o primeiro-ministro, portanto, refletem um cansaço com a sua gestão, mas não um questionamento do genocídio em curso.

O desprezo generalizado pelas vidas palestinas reflete uma visão nacionalista que perpetua a ideia de que Israel tem um direito inalienável à autodefesa, mesmo que isso signifique massacrar populações inteiras. À medida que essa mentalidade prevalece, a tragédia em Gaza continua a ser vista apenas como um espetáculo macabro de guerra, mantido para o deleite de uma audiência que, por ora, ainda não cansou de aplaudir.

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