Pelo menos 38 pessoas morreram em Khan Younis, sul de Gaza, em novos bombardeios israelenses que atingiram diversas residências na sexta-feira. Entre as vítimas, segundo autoridades de saúde locais, estavam mulheres e crianças. As cenas vindas do hospital Nasser são devastadoras: corpos no chão enquanto parentes se despedem antes do enterro.
O jornalista Tareq Abu Azzoum, da Al Jazeera, reportando de Deir el-Balah, no centro de Gaza, destacou a brutalidade do ataque, descrevendo o desespero de familiares na busca por seus entes queridos. Ahmed Sobh, testemunha da tragédia, relatou ter encontrado seus primos mortos sob os escombros. "O filho dela estava sob uma coluna de concreto, levou 1 hora e meia para o retirarmos", contou à Reuters.
Em meio aos destroços, Ahmed al-Farra relatou ter perdido 15 membros de sua família. Ele descreveu o pavor enquanto tentava resgatar sua mãe: “Enquanto escavava para tirá-la, vi um tanque mirando em mim. Pensei: ‘Continuo escavando ou olho para o tanque?’. Escavei com medo, todos estavam escavando com medo”, disse.
Ataques em diversas áreas de Gaza, realizados pelo exército israelense, tiraram a vida de pelo menos 72 pessoas desde a noite de quinta-feira, incluindo uma família de 25 pessoas em Beit Lahiya, no norte do território. Em um campo de refugiados na cidade de Gaza, mais nove pessoas foram mortas.
Desde o início da ofensiva israelense em outubro de 2023, mais de 42.000 palestinos morreram, de acordo com as autoridades de saúde de Gaza. O Escritório de Mídia do Governo de Gaza informou que, até sexta-feira, pelo menos 770 palestinos perderam a vida e outros 1.000 ficaram feridos apenas nas últimas 24 horas.
Enquanto isso, o chefe de direitos humanos da ONU, Volker Turk, alertou para o risco de crimes de atrocidade em Gaza. Segundo ele, as ações israelenses no norte da faixa podem estar conduzindo a uma evacuação em massa de palestinos. “Estamos diante do que pode se configurar como crimes de atrocidade", afirmou Turk, que denunciou os bombardeios incessantes e a impossibilidade de fuga para as centenas de milhares de civis presos em Jabalia, Beit Hanoun e Beit Lahiya.
O hospital Kamal Adwan, sitiado por forças israelenses, também foi alvo de ataques com tanques na quinta-feira, agravando a já crítica situação humanitária. Turk destacou que há mais de 150.000 mortos, feridos ou desaparecidos em Gaza desde o início do conflito, um número que só tende a aumentar.
O alerta foi feito em um contexto de bombardeios ininterruptos, com acesso limitado a ajuda humanitária. A ONU destacou que a fome já atinge grande parte da população e que "o momento mais sombrio do conflito está se desenrolando no norte de Gaza". Além disso, o governo dos Estados Unidos busca uma solução diplomática para um cessar-fogo entre Israel e Hamas.
Enquanto delegações de Israel e Hamas se preparam para negociações em Doha e no Cairo, a pressão internacional cresce por um acordo que ponha fim à ofensiva, permita a retirada das tropas israelenses de Gaza e viabilize uma troca de prisioneiros entre as duas partes. Porém, até o momento, nenhum progresso concreto foi anunciado.
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