Em meio a promessas de um possível cessar-fogo entre Israel e Hezbollah, a violência continua a assolar o Líbano. Na última segunda-feira, as Forças de Defesa de Israel realizaram bombardeios em todo o território libanês, atingindo áreas residenciais e comerciais em Beirute e na cidade portuária de Tiro, onde pelo menos 12 pessoas perderam a vida. Desde o início do conflito, há dois meses, os ataques israelenses já causaram mais de 3.700 mortes no Líbano.
O exército israelense justificou os bombardeios como alvos em "fortalezas do Hezbollah". As ações incluíram evacuações forçadas de bairros no sul de Beirute, enquanto ataques atingiram áreas próximas a uma base da polícia libanesa e ao maior parque público da cidade.
Segundo Zein Basravi, correspondente da Al Jazeera, os ataques recentes foram descritos como mais destrutivos, frequentes e realizados sem aviso prévio, dificultando que civis escapem das investidas de mísseis e drones.
Negociações sob tensão
Enquanto o embaixador de Israel nos Estados Unidos, Mike Herzog, afirmava que um acordo de cessar-fogo com o Hezbollah estava "próximo", ele também alertou que ainda havia pontos críticos a serem resolvidos. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, convocou seu gabinete de segurança para discutir o plano, mas divergências permanecem. Israel insiste em manter a capacidade de realizar ataques no sul do Líbano mesmo após o acordo, algo que encontra resistência por parte de Beirute.
Elias Bou Saab, vice-presidente do Parlamento libanês, declarou à Reuters que o principal obstáculo foi superado: um consenso sobre a formação de uma comissão liderada pelos Estados Unidos e composta por cinco países, incluindo a França, para monitorar o cessar-fogo. O plano prevê a retirada das tropas israelenses do sul do Líbano em até 60 dias, permitindo que forças regulares libanesas assumam a segurança na região.
Apesar do progresso diplomático, o Líbano acusa Israel de intensificar os ataques como forma de pressionar o governo libanês. Bou Saab chamou essa estratégia de uma tentativa de "forçar concessões de última hora".
Cenário de destruição e incerteza
Os números refletem a devastação: desde outubro de 2023, os bombardeios israelenses mataram 3.768 pessoas no Líbano e deslocaram mais de um milhão de civis. Do lado israelense, ataques do Hezbollah mataram 45 civis e 73 soldados, com os combates se concentrando no norte de Israel, nas Colinas de Golã e no sul do Líbano.
Apesar dos esforços diplomáticos, lideranças israelenses permanecem divididas. O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, membro do gabinete de Netanyahu, declarou que um cessar-fogo seria um "erro histórico", defendendo a continuação das ofensivas contra o Hezbollah.
Enquanto isso, intensos bombardeios e salvas de mísseis alimentam o temor de uma escalada ainda maior no conflito. Mesmo diante do otimismo moderado das negociações, os moradores de ambos os lados da fronteira se agarram à esperança de que o atual surto de violência chegue ao fim.
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