Orban alerta: EUA vão abandonar a Ucrânia, deixando UE em posição difícil

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, afirmou que a chegada de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos levará o país a abandonar o conflito na Ucrânia, deixando a Europa em uma situação delicada. Em entrevista à Rádio Kossuth, Orban declarou que a linha de frente na Ucrânia revela uma derrota militar iminente e que os EUA, sob o comando de Trump, devem se retirar da guerra. "Os americanos vão sair dessa guerra. A Europa, sozinha, não pode financiar esse conflito", alertou.

Orban observou que, embora alguns líderes europeus ainda defendam investimentos contínuos na Ucrânia, o apoio a essa posição tem enfraquecido, com vozes crescentes clamando por uma reavaliação da política de apoio militar. Segundo ele, a Hungria, junto a outras nações como a Eslováquia e o Vaticano, que sempre defenderam o diálogo e a desescalada, sentem-se agora legitimados em suas posturas.

A previsão de Orban sobre uma nova abordagem dos EUA para o conflito na Ucrânia segue a vitória de Trump nas eleições presidenciais. O republicano já havia mencionado anteriormente que, se eleito, encerraria o conflito em 24 horas. Orban acredita que o impacto dessa vitória é tão grande que “pode ser visto da Lua, talvez até de Marte”, indicando profundas mudanças na política mundial.

Para o primeiro-ministro húngaro, a possível retirada dos EUA coloca os líderes pró-Ucrânia em uma posição embaraçosa, embora muitos sempre tenham reconhecido a possibilidade de uma virada desfavorável. Em uma iniciativa própria pela paz, Orban realizou um périplo diplomático ao longo do ano, visitando Kiev, Moscou, Pequim e os EUA, onde se reuniu tanto com o presidente Joe Biden quanto com Trump para discutir a situação ucraniana. Após essas visitas, a Hungria enviou um relatório aos membros da União Europeia, alertando sobre a necessidade de preparar-se para um cenário de mudança em relação à Ucrânia. “Não há razão para que qualquer líder diga que foi pego de surpresa”, ressaltou Orban.

O líder húngaro também criticou duramente a falta de diálogo direto entre as partes interessadas na Europa, afirmando que essa omissão é um “luxo que não se pode permitir na política”. Sua postura, no entanto, atraiu críticas de alguns líderes europeus, que o acusam de favorecer a Rússia e de usar a presidência rotativa da Hungria na União Europeia para projetar uma posição que não representa a opinião de Bruxelas. Em resposta, Orban enfatizou que representa exclusivamente os interesses da Hungria.

Comentários