Bilionário vietnamita desafia domínio da Grab na Ásia do Sudeste

Pham Nhat Vuong, o homem mais rico do Vietnã, aposta em Xanh SM, uma startup de mobilidade elétrica, para competir com a líder regional Grab. Apesar do entusiasmo inicial, especialistas questionam a viabilidade da estratégia de crescimento da empresa em um mercado altamente competitivo.

Dat, um motorista autônomo de 23 anos, optou por trabalhar com a Xanh SM em vez de se juntar à gigante Grab. Ele foi atraído pelo apelo ambiental e pela identidade vietnamita da empresa. “Acredito que a Xanh SM se tornará mais popular do que a Grab no futuro,” afirmou Dat, destacando as vantagens em economia de combustível e sustentabilidade.

Liderada por Vuong, também presidente do conglomerado Vingroup, a Xanh SM oferece veículos elétricos alugados para motoristas, além de seus serviços de transporte por aplicativo. Desde o lançamento em abril de 2023, os característicos carros e motos elétricos verdes da empresa se tornaram uma presença constante nas ruas vietnamitas. Contudo, o modelo de negócios também serve como vitrine para a Vinfast, marca de veículos elétricos criada por Vuong em 2017.

Estratégia de crescimento e desafios financeiros

Embora tenha expandido rapidamente, incluindo operações em quase metade do Vietnã e na vizinha Laos, a Xanh SM enfrenta críticas sobre sua sustentabilidade financeira. Em 2023, 82% das vendas da Vinfast vieram de empresas controladas por Vuong, incluindo a própria Xanh SM. Nesse período, a startup adquiriu veículos elétricos no valor de US$ 839 milhões (cerca de R$ 4,3 bilhões) e assinou um contrato de US$ 419 milhões (aproximadamente R$ 2,1 bilhões) para a compra de 14.600 novos carros elétricos.

Zachary Abuza, especialista em política do Sudeste Asiático, descreve a estratégia como vantajosa no curto prazo, mas arriscada devido à dependência de apoio governamental. Ele alerta para o risco de as empresas se tornarem "grandes demais para falir", o que pode criar um ambiente de imprudência financeira.

A expansão internacional também apresenta desafios. Segundo Abuza, os altos custos de operação, incluindo tarifas alfandegárias e infraestrutura de recarga, tornam o projeto ambicioso e caro. O governo vietnamita nega qualquer tratamento preferencial, mas analistas apontam que o sistema socialista do país facilita subsídios indiretos, como acesso barato a terras e capital.

Percepção do mercado e resistência local

Uma pesquisa realizada pela Decision Lab mostrou que 36% dos consumidores vietnamitas preferem a Xanh SM, colocando-a em segundo lugar atrás da Grab, com 62%. Enquanto isso, motoristas reclamam da qualidade dos veículos elétricos e das políticas de responsabilização financeira em casos de danos, levando alguns a abandonarem a plataforma.

Mesmo com vendas internas robustas, a Vinfast luta para se firmar no mercado global de veículos elétricos. A empresa reportou um prejuízo de US$ 773,5 milhões (cerca de R$ 4 bilhões) no segundo trimestre de 2023, marcando um aumento de 40% em relação ao mesmo período do ano anterior. Além disso, planos para uma fábrica de US$ 2 bilhões (R$ 10,2 bilhões) na Carolina do Norte foram adiados para 2028.

Futuro incerto

Vuong, porém, permanece confiante. Em uma entrevista recente, ele afirmou estar disposto a investir todo o seu patrimônio na Vinfast. Em novembro de 2023, a Vingroup anunciou um empréstimo de US$ 1,4 bilhão (R$ 7,1 bilhões) à Vinfast, enquanto Vuong comprometeu US$ 2,1 bilhões (R$ 10,7 bilhões) do próprio bolso.

Ainda assim, analistas alertam que a combinação de concorrência feroz, críticas sobre a qualidade dos produtos e desafios financeiros pode ameaçar os planos de expansão internacional de Vuong. A Xanh SM, embora promissora, está longe de garantir uma posição segura no mercado de mobilidade elétrica.

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