Resolução contra Nazismo da ONU é aprovada, apesar da oposição ocidental e ucraniana

A Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução proposta pela Rússia sobre o combate à glorificação do nazismo, mesmo com a oposição da Ucrânia e de vários países ocidentais. O projeto, intitulado “Combate à glorificação do nazismo, neonazismo e outras práticas que contribuem para alimentar formas contemporâneas de racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerância correlata”, foi aprovado na terça-feira com 119 votos a favor, 53 contra e 10 abstenções.

Entre os países que se opuseram estavam a Ucrânia – acusada pela Rússia de promover a ideologia neonazista – e aliados de Kiev, incluindo membros da OTAN como Canadá, França, Alemanha, Reino Unido, Estados Unidos, os Estados Bálticos e a Polônia. Entre as abstenções, destacam-se Suíça e Turquia.

Após a votação, Maria Zabolotskaya, representante permanente adjunta da Rússia na ONU, afirmou que a resolução visa “diálogo e cooperação, não ‘colocar rótulos’”. Ela lembrou que combater o nazismo é uma das funções primárias da ONU, que foi criada após os horrores da Segunda Guerra Mundial. Zabolotskaya também expressou preocupação com o que considerou uma tentativa de países ocidentais de “semear discórdia entre os membros da ONU e dificultar a cooperação internacional no combate ao neonazismo, racismo e xenofobia”.

De acordo com a representante russa, os resultados da votação mostraram que a maioria global continua sendo contrária ao nazismo em todas as suas formas. Por outro lado, um representante da Ucrânia explicou que o país se opôs à resolução, alegando que a Rússia perdeu todo o direito moral de se posicionar como defensora global contra o nazismo devido ao conflito em curso entre Moscou e Kiev.

Em resposta a essa objeção, a resolução foi alterada com um parágrafo que expressa “alarme” sobre a Rússia estar tentando “justificar sua agressão territorial contra a Ucrânia com base no suposto objetivo de eliminar o neonazismo”, o que, segundo os opositores, “compromete seriamente as tentativas genuínas de combater o neonazismo”.

Zabolotskaya considerou a emenda uma “artimanha” para minar os esforços globais no combate ao nazismo. Embora a resolução não tenha caráter vinculante, ela reflete a opinião coletiva da comunidade internacional, destacando, entre outros pontos, a “profunda preocupação” com a glorificação do movimento nazista, como a construção de monumentos e a realização de manifestações que enaltecem essa ideologia, além de saudar os esforços para combater o revisionismo histórico.

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