A China anunciou novas restrições à exportação de minerais raros e essenciais para a produção de semicondutores, intensificando a chamada "guerra tecnológica" com os Estados Unidos. A medida, que entra em vigor em um momento de escalada de sanções e contra-sanções entre as duas potências, visa limitar o acesso norte-americano a recursos críticos para avanços em inteligência artificial (IA) e sistemas militares.
O Ministério do Comércio chinês anunciou na terça-feira que minerais como gálio, germânio e antimônio estão sujeitos a novos controles de exportação. Esses materiais são indispensáveis na fabricação de chips, equipamentos militares e outras aplicações industriais. Pequim também ampliou exigências para que exportadores declarem o destino final de seus produtos, buscando rastrear possíveis conexões com empresas norte-americanas.
A iniciativa ocorre em resposta às sanções impostas pelos Estados Unidos um dia antes, que restringiram a exportação de chips avançados e ferramentas de fabricação de semicondutores para a China. Essas sanções, segundo Washington, são necessárias para proteger a segurança nacional e impedir avanços tecnológicos que poderiam fortalecer o setor militar chinês.
Impactos globais e motivações estratégicas
A disputa tem reverberações significativas para as cadeias globais de fornecimento. Materiais como o gálio, utilizado em telas de LED, células solares e armas de próxima geração, e o antimônio, essencial para baterias e equipamentos militares, estão entre os mais afetados. A China, responsável por 98% das exportações globais de gálio, controla uma parcela crucial desses recursos.
Os Estados Unidos dependem de maneira significativa das importações chinesas, adquirindo cerca de metade de suas necessidades de gálio e germânio diretamente de Pequim. Enquanto isso, o preço de minerais como o antimônio mais que dobrou em 2023, superando US$ 25 mil por tonelada (aproximadamente R$ 125 mil).
O governo Biden intensificou os controles de exportação desde 2022, alavancando uma estratégia denominada "small yard, high fence" (pequeno quintal, cerca alta), que busca limitar avanços tecnológicos chineses. A iniciativa foi expandida com base em políticas da época de Donald Trump, mas enfrenta críticas de Pequim, que acusa os Estados Unidos de "supressão maliciosa".
Repercussões e respostas chinesas
Autoridades chinesas argumentam que as medidas norte-americanas violam princípios de livre mercado e competição justa. Lin Jian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, afirmou que Pequim se opõe às sanções unilaterais e ao que chama de "jurisdição de longo alcance" dos EUA. Associações industriais chinesas também denunciaram o impacto das restrições nas cadeias de fornecimento globais.
Em julho de 2023, a China já havia implementado exigências de licenças especiais para exportação de minerais críticos, ampliando as restrições em outubro com o controle de grafite, essencial para baterias de veículos elétricos. Essa nova rodada de medidas amplia o escopo da disputa, destacando a importância estratégica dos recursos naturais na competição tecnológica.
Projeções e cenário futuro
Especialistas preveem que os Estados Unidos intensifiquem as sanções, tentando conter as ambições tecnológicas de Pequim. Contudo, empresas em todo o mundo que dependem de semicondutores devem enfrentar custos crescentes, enquanto a disputa também pressiona governos aliados, como Japão e Países Baixos, a adotarem políticas semelhantes.
A guerra tecnológica entre EUA e China está longe de um desfecho e destaca o papel central dos minerais raros na definição do futuro econômico e estratégico global.
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