A Coreia do Norte anunciou nesta terça-feira o sucesso no teste de um novo míssil hipersônico, marcando um avanço estratégico em seu programa militar. O líder norte-coreano, Kim Jong-un, declarou que o desenvolvimento dessa tecnologia é essencial para a "autodefesa" do país e para enfrentar "ameaças hostis contra nosso Estado".
O lançamento ocorreu na última segunda-feira e foi inicialmente reportado pela mídia sul-coreana. Embora a Coreia do Norte tenha iniciado o desenvolvimento de mísseis hipersônicos em 2021, os testes anteriores falharam, segundo relatos de veículos ocidentais. Dessa vez, o projétil atingiu um alvo simulado no mar aberto, a 1.500 quilômetros de distância, após ser disparado de um subúrbio de Pyongyang.
De acordo com a agência estatal KCNA, o míssil atingiu alturas de 99,8 km e 42,5 km, demonstrando capacidade de mudar de curso durante o voo, em vez de seguir uma trajetória balística fixa. Construído com materiais leves de fibra de carbono, o míssil foi descrito como de "alcance intermediário", com um raio de ação estimado entre 3.000 e 5.500 km, e projetado para "penetrar efetivamente barreiras de defesa densas e causar sérios danos militares ao inimigo".
Contexto global e corrida armamentista
O desenvolvimento de armas hipersônicas tem atraído atenção global. Rússia e China lideram essa corrida tecnológica, com a Rússia já tendo utilizado seus mísseis hipersônicos, como os Kinzhal e Zircon, durante o conflito na Ucrânia. Por outro lado, os Estados Unidos, embora tenham realizado seu primeiro teste bem-sucedido em 2017, enfrentam dificuldades para avançar na implementação prática dessas armas.
Kim Jong-un reiterou que os mísseis hipersônicos fazem parte de uma estratégia de defesa nuclear avançada. Ele enfatizou que este programa "não é um plano ofensivo", mas sim uma medida para enfrentar as "ameaças de segurança" de forças hostis.
Nos últimos anos, as tensões na península coreana têm se intensificado, com Estados Unidos e Coreia do Sul ampliando exercícios militares conjuntos. Como resposta, Pyongyang aumentou significativamente seus testes de mísseis, ultrapassando 100 lançamentos desde 2022.
Em dezembro de 2024, Kim prometeu fortalecer ainda mais a defesa nacional e adotar uma postura "mais agressiva" contra os Estados Unidos, descrevendo essas medidas como a "mais dura contraofensiva antiamericana" até hoje.
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