Especialistas descartam relação entre demissões de Trump e acidente aéreo em Washington

Apesar das acusações nas redes sociais, especialistas em aviação afirmam que as demissões de autoridades federais e o fim de programas de diversidade, equidade e inclusão (DEI) pelo presidente Donald Trump não tiveram relação direta com a colisão aérea ocorrida em 29 de janeiro próximo ao Aeroporto Ronald Reagan, em Washington. O acidente, envolvendo um jato comercial e um helicóptero militar Black Hawk, matou todos os ocupantes das aeronaves.

Críticos de Trump nas redes apontaram medidas do governo, como a demissão do diretor da TSA (Administração de Segurança nos Transportes) e a dissolução do Comitê Consultivo de Segurança da Aviação, como possíveis causas. No entanto, Jim Cardoso, ex-coronel da Força Aérea dos EUA, ressaltou que os protocolos de controle de tráfego aéreo na região de Washington são consolidados há décadas. “As mudanças recentes não impactariam operações em tão pouco tempo”, afirmou.

John Cox, consultor de segurança aérea, alertou contra especulações prematuras: “O padrão internacional é investigar com fatos, não com motivação política”. A investigação do acidente, que deve levar meses, analisará fatores como condições climáticas, comunicação entre torres e possíveis falhas técnicas.

O que Trump fez (e não fez) na aviação?

  • Congelamento de contratações federais: Uma ordem executiva de 20 de janeiro suspendeu novas admissões, mas isentou cargos essenciais à segurança pública, como controladores de tráfego aéreo.
  • Fim de programas DEI: A ordem “Keeping Americans Safe in Aviation”, assinada em 21 de janeiro, eliminou políticas de diversidade na contratação da FAA (Agência Federal de Aviação), priorizando “mérito”. Trump atribuiu o acidente a essas políticas, mas especialistas rebatem: “Todos os pilotos e controladores envolvidos cumpriam requisitos técnicos”, destacou Cox.
  • Demissões na TSA e Guarda Costeira: A troca de comando nessas agências, porém, não interfere diretamente no controle aéreo – focado na FAA.

Dados do New York Times revelaram que a torre do aeroporto Reagan operava com subequipe crônica, problema anterior ao governo Trump. Relatórios preliminares da FAA apontam que, no dia do acidente, o número de controladores era inferior ao necessário para o fluxo de voos.

Enquanto isso, posts nas redes acusaram Trump de demitir 3.000 controladores de tráfego aéreo – informação desmentida pela Casa Branca. Dados de maio de 2024 já alertavam para a falta de 3.000 profissionais no setor, agravada por turnos longos e exaustão.

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