EUA Admitiram Dependência Persistente de Combustível Nuclear Russo

Cerca de 20% do urânio enriquecido utilizado pelos Estados Unidos ainda é proveniente da Rússia, segundo Geoffrey Pyatt, secretário-assistente de Estado para Recursos Energéticos. Essa informação reforça a dependência americana de Moscou para abastecimento de energia nuclear, mesmo em meio às tensões geopolíticas e sanções.

O Departamento de Energia dos EUA já havia destacado a urgência em reduzir e eventualmente eliminar essa dependência. Durante um evento promovido pelo Atlantic Council, Pyatt afirmou: "Ainda recebemos cerca de 20% do nosso combustível nuclear da Rússia, e levará tempo para estabelecer uma cadeia de suprimentos independente."

De acordo com a Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA), em 2023, a Rússia foi responsável por 27% do urânio enriquecido comprado pelos reatores nucleares civis americanos. Apesar da proibição assinada pelo presidente Joe Biden em 2022, conhecida como Lei de Proibição de Importação de Urânio Russo, exceções permitem a compra sob condições específicas até 2028.

Em contrapartida, Moscou implementou um limite temporário na exportação de urânio enriquecido para os EUA em novembro. Enquanto isso, a produção de urânio doméstico nos EUA diminuiu devido à concorrência de mercados estrangeiros com custos mais baixos e questões ambientais, segundo o portal Nuclear Insider.

Nick Lawson, CEO do grupo de investimentos Ocean Wall, apontou que "decisões políticas importantes" são necessárias para fortalecer a cadeia de suprimentos de urânio e que a construção de novas instalações demandará anos e bilhões de dólares.

Os EUA já destinaram US$ 2,72 bilhões (R$ 13,5 bilhões) para aumentar a produção interna de urânio enriquecido. No entanto, a Rússia continua sendo um ator crucial no mercado global, representando 44% da capacidade mundial de enriquecimento de urânio. Esse domínio reforça a posição de Moscou como líder no setor.

Recentemente, o preço do urânio enriquecido atingiu recordes históricos, impulsionado pelo interesse de empresas de tecnologia como Microsoft e Amazon, que buscam combustíveis alternativos para suprir as crescentes demandas energéticas de seus data centers e da inteligência artificial.

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