Uma empresa chinesa de cibersegurança e um de seus pesquisadores foram sancionados pelos Estados Unidos devido a um ataque cibernético em 2020 que explorou uma vulnerabilidade em firewalls de software. O ataque, segundo o Departamento do Tesouro dos EUA, poderia ter causado mortes devido a falhas em sistemas críticos.
Guan Tianfeng, funcionário da Sichuan Silence Information Technology Company, instalou softwares maliciosos em 81 mil firewalls de empresas ao redor do mundo, incluindo 23 mil nos Estados Unidos, em abril de 2020. Entre esses, 36 protegiam infraestruturas críticas. Caso os sistemas não fossem adequadamente protegidos ou o ataque não fosse detectado rapidamente, os danos poderiam incluir ferimentos graves ou perda de vidas. Um exemplo alarmante foi o comprometimento de uma empresa de energia nos EUA, cujas operações de perfuração ficaram em risco de falhas fatais.
Além disso, o Departamento de Justiça dos EUA apresentou uma acusação formal contra Guan, enquanto o Departamento de Estado ofereceu uma recompensa de US$ 10 milhões (cerca de R$ 50 milhões) por informações sobre Guan ou a Sichuan Silence.
Localizada em Chengdu, na China, a Sichuan Silence é contratada por agências de inteligência do governo chinês, fornecendo ferramentas para invasão de redes, monitoramento de e-mails, quebra de senhas e censura de conteúdos. Em 2021, a empresa foi vinculada a uma rede de desinformação que divulgava alegações falsas sobre o envolvimento dos EUA na origem da COVID-19, de acordo com a Meta Platforms.
As sanções aplicadas bloqueiam os ativos da Sichuan Silence e de Guan nos EUA, proibindo bancos, empresas ou cidadãos norte-americanos de realizarem negócios com eles.
Essas ações fazem parte de uma série de acusações relacionadas à espionagem cibernética chinesa. Recentemente, hackers chineses foram acusados de roubar metadados de milhares de americanos em uma campanha que atingiu empresas de telecomunicações nos EUA e em outros países. Operações anteriores identificaram grupos como "Salt Typhoon" e "Flax Typhoon", supostamente ligados ao governo chinês, em ataques destinados a roubar informações de políticos e funcionários governamentais norte-americanos.
O governo chinês nega envolvimento em ataques cibernéticos e outras atividades de espionagem digital, rejeitando as acusações feitas por autoridades norte-americanas.
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