Ex-presidente da Coreia do Sul é preso após confronto dramático com autoridades

O ex-presidente sul-coreano Yoon Suk-yeol foi preso nesta quarta-feira após um tenso confronto com as forças de segurança que durou quase duas semanas.

Policiais e agentes anticorrupção invadiram o complexo residencial onde Yoon havia se entrincheirado desde o dia 3 de dezembro, após declarar, de forma breve, lei marcial. Os oficiais ultrapassaram barreiras de arame farpado e barricadas montadas por sua equipe de segurança para cumprir o mandado de prisão emitido pelo tribunal.

Mais de 3.000 policiais foram mobilizados na operação, que resultou na detenção do ex-líder. “Decidi me apresentar à investigação do Escritório de Investigação de Corrupção para Altos Funcionários (CIO), mesmo sendo ilegal, para evitar derramamento de sangue desnecessário”, declarou Yoon em um vídeo pré-gravado divulgado após sua captura.

Yoon enfrentava acusações de insurreição, crime para o qual ex-presidentes sul-coreanos não possuem imunidade. Essa foi a segunda tentativa das autoridades de prendê-lo após uma tentativa frustrada na semana anterior.

Quem é Yoon Suk-yeol?

Figura de destaque no cenário político sul-coreano, Yoon Suk-yeol ganhou notoriedade como promotor, sendo apelidado de "Sr. Limpo" por processar empresários e políticos influentes. Em 2022, ele levou o conservador Partido do Poder Popular (PPP) à vitória eleitoral, apesar de sua limitada experiência política.

Entretanto, seu mandato foi marcado por desafios em avançar sua agenda em um parlamento controlado pela oposição, além de escândalos pessoais e divisões internas em seu partido. Sua popularidade nacional cresceu em 2016, quando liderou a investigação que resultou no impeachment da então presidente Park Geun-hye.

Impactos políticos e econômicos

A prisão de Yoon, que já havia sido destituído do cargo pelo parlamento, intensificou as divisões políticas no país. Embora pesquisas mostrem que a maioria dos sul-coreanos desaprova sua declaração de lei marcial, o episódio fortaleceu sua base de apoio, impulsionando o PPP a alcançar 40,8% de apoio em uma pesquisa recente, uma diferença mínima em relação aos 42,2% do principal partido de oposição, o Democrático.

O caos político também abalou a economia da quarta maior potência da Ásia, enquanto protestos eclodiam em apoio e oposição ao ex-líder. Nas ruas, partidários de Yoon ecoavam slogans como "Parem o roubo!" e empunhavam bandeiras da Coreia do Sul e dos Estados Unidos, em referência às acusações de fraude eleitoral feitas pelo ex-presidente.

O que vem a seguir?

Com a detenção de Yoon, as autoridades têm 48 horas para interrogá-lo antes de decidir pela extensão da prisão ou sua liberação. Caso formalmente preso, ele poderá ser detido por até 20 dias antes que o caso seja encaminhado à promotoria para acusação.

Yoon enfrenta a possibilidade de prisão perpétua ou pena de morte caso seja condenado por insurreição. Paralelamente, o Tribunal Constitucional iniciou o julgamento do impeachment, cuja conclusão pode levar meses. Se aprovado, uma nova eleição presidencial deverá ocorrer em até 60 dias.

Enquanto isso, o presidente interino, Choi Sang-mok, busca estabilizar o país, reunindo-se com representantes de nações do G7 para assegurar que o governo mantém a estabilidade política.

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