Incêndios devastam Los Angeles: crise no seguro pode ser o próximo desafio na Califórnia

Os incêndios florestais que assolam o condado de Los Angeles, na Califórnia, trouxeram destruição sem precedentes, gerando preocupação sobre como os milhares de afetados poderão recuperar suas perdas e enfrentar uma potencial crise no mercado de seguros.

Mais de 12.300 propriedades já foram destruídas, enquanto analistas estimam que as perdas seguradas podem ultrapassar US$ 20 bilhões (cerca de R$ 100 bilhões), tornando este evento o mais caro da história da Califórnia. Em termos econômicos gerais, os danos podem alcançar entre US$ 250 bilhões e US$ 275 bilhões (R$ 1,25 trilhões a R$ 1,38 trilhões), segundo a AccuWeather, superando o furacão Katrina de 2005.

Extensão da devastação

Desde que começaram em Pacific Palisades, os incêndios já consumiram 9.596 hectares de terra. Ao menos 27 pessoas perderam a vida, enquanto milhares estão deslocadas e incertas sobre o futuro. Atualmente, dois incêndios principais seguem ativos: Palisades, com 27% de contenção, e Eaton, com 55% de contenção.

Mercado de seguros em crise

Antes mesmo dos incêndios, grandes seguradoras como State Farm e Allstate começaram a cancelar apólices em áreas de alto risco. Entre 2020 e 2022, mais de 2,8 milhões de apólices de seguros residenciais não foram renovadas na Califórnia, sendo 500 mil apenas em Los Angeles.

A State Farm, maior seguradora do estado, suspendeu a aceitação de novas apólices em maio de 2023, citando aumento nos custos de construção, exposição a catástrofes e um mercado desafiador de resseguros. Essa decisão foi agravada pelas regras estabelecidas pela Proposição 103, que limita os aumentos de preços dos seguros e exige que as taxas sejam baseadas em perdas históricas, sem considerar mudanças climáticas ou projeções futuras.

Entre 2004 e 2013, os incêndios florestais destruíram uma média de 653 estruturas por ano na Califórnia. Entre 2014 e 2023, esse número saltou para 5.669 estruturas anuais, resultado de eventos cada vez mais destrutivos.

Alternativas insuficientes

Com a saída das seguradoras privadas, muitos proprietários recorreram ao programa estadual California FAIR Plan, criado em 1968 para oferecer cobertura básica àqueles sem acesso a seguros convencionais. Hoje, mais de 452 mil pessoas dependem do plano, que cobre até US$ 3 milhões (R$ 15 milhões), mas é insuficiente para reconstruções completas e possui um custo médio anual de US$ 3.200 (R$ 16 mil), mais do que o dobro do seguro convencional.

A consequência é alarmante: 806.651 residências na Califórnia estão sem seguro, incluindo 154.108 apenas em Los Angeles, segundo dados do LendingTree.

Mudanças climáticas: a raiz do problema

Pesquisas apontam que as mudanças climáticas estão ampliando a frequência e a intensidade dos incêndios florestais. O governador Gavin Newsom destacou que o estado já não possui uma “temporada de incêndios”, pois os eventos se tornaram uma ameaça durante todo o ano.

Para garantir a resiliência da Califórnia, especialistas recomendam mudanças urgentes, como atualizações nos códigos de construção, investimentos em infraestrutura subterrânea e medidas preventivas contra incêndios. Apesar de pequenos avanços regulatórios, o futuro do mercado de seguros do estado permanece incerto diante da crescente crise climática.

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