Mais de 300 amostras de vírus altamente letais desapareceram de um laboratório em Queensland, Austrália, em um grave incidente de biosegurança que permaneceu desconhecido por dois anos.
A falha ocorreu após o congelador do Laboratório de Virologia em Saúde Pública de Queensland sofrer uma pane em 2021. Contudo, a ausência das amostras só foi detectada em agosto de 2023, sendo oficialmente confirmada nesta segunda-feira. Entre os vírus desaparecidos estão o Hantavírus, o vírus Hendra e o Lyssavírus.
O Diretor de Saúde de Queensland, John Gerrard, afirmou que não há evidências de risco à população, ressaltando que os vírus se tornam inativos rapidamente fora de um ambiente de ultracongelamento. Ele também especulou que as amostras podem ter sido descartadas em conformidade com protocolos de segurança.
Das amostras desaparecidas, 100 continham o vírus Hendra, 2 estavam associadas ao Hantavírus, com uma taxa de mortalidade de aproximadamente 38%, e 223 eram de Lyssavírus, semelhante à raiva e fatal em todos os casos registrados na Austrália desde 1996.
O Ministro da Saúde de Queensland, Tim Nicholls, descartou qualquer hipótese de roubo intencional ou uso com fins nefastos. Segundo ele, "a armação de um vírus é um processo altamente complexo, fora do alcance de amadores". Nicholls ainda enfatizou que não há registro de uso do Hendra como arma biológica.
As autoridades classificaram o ocorrido como uma grave violação dos protocolos de biosegurança e anunciaram medidas rigorosas para prevenir novos incidentes, como auditorias e requalificação da equipe.
Uma investigação será conduzida pelo juiz aposentado Martin Daubney e pelo especialista em biosegurança Dr. Julian Druce para esclarecer como as amostras desapareceram sem que ninguém notasse durante quase dois anos.
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