O agravamento dos bombardeios israelenses sobre Gaza, incluindo a região de al-Mawasi, designada como “zona humanitária segura”, resultou em um número alarmante de vítimas, com 49 palestinos mortos somente na terça-feira. Entre os mortos estavam cinco crianças, atingidas enquanto se abrigavam em tendas destinadas a deslocados internos.
O Ministério da Saúde de Gaza denunciou que, em apenas 24 horas, três famílias palestinas foram dizimadas, somando 31 mortos e 57 feridos. Desde o início do conflito, em 7 de outubro de 2023, o número total de mortes no território ultrapassa 45.885, com mais de 109.000 feridos.
Ataques a al-Mawasi e a Crise Humanitária
Apesar de centenas de milhares de civis deslocados abrigados em al-Mawasi, as forças israelenses continuam os bombardeios, justificando os ataques com alegações não comprovadas de presença de membros do Hamas. Relatos do Hospital Nasser, em Khan Younis, mostram que, além das crianças mortas em al-Mawasi, outras vítimas incluem oito crianças e cinco mulheres, levadas ao hospital na terça-feira.
Corpos jaziam empilhados no necrotério, incluindo o de uma menina em um casaco rosa, cujos restos repousavam no colo de outra criança. Testemunhas descreveram corpos desfigurados e cobertos por cobertores, reflexo da intensidade dos ataques aéreos.
Combate ao Colapso das Instituições Médicas
Os hospitais de Gaza enfrentam uma crise sem precedentes, agravada pela escassez de combustível e restrições impostas por Israel. O Hospital Europeu em Khan Younis alertou que ficará sem energia em menos de 24 horas, enquanto o Hospital Al-Aqsa, em Deir el-Balah, anunciou que também precisará interromper suas operações.
Além disso, gangues palestinas têm sequestrado caminhões-tanque de combustível, o que compromete ainda mais os serviços médicos. A destruição de comboios humanitários e ataques a centros de distribuição de alimentos também foram relatados, dificultando a entrega de suprimentos essenciais.
Reação Internacional
Tom Fletcher, subsecretário-geral da ONU para assuntos humanitários, classificou a situação como um “ponto de ruptura”. Ele destacou ataques israelenses contra uma instalação da World Food Programme (WFP), que deixou três feridos, e o disparo de 16 tiros contra um comboio da ONU. Segundo Fletcher, as ações israelenses e os saques de recursos por criminosos locais criaram um ambiente de medo e desconfiança.
“A percepção agora é de que proteger comboios humanitários é perigoso, mas saqueá-los é seguro”, disse Fletcher, ressaltando que voluntários comunitários estão sendo diretamente atacados.
No centro do conflito, enquanto ataques aéreos se intensificam, o clima de medo e incerteza em Gaza aumenta, com civis esperando por mais bombardeios.
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