As forças israelenses bloquearam as quatro principais entradas da cidade de Jenin, na Cisjordânia ocupada, enquanto os ataques mortais entram no quarto dia consecutivo. A Organização das Nações Unidas (ONU) expressou "profunda preocupação" com o uso de "força letal ilegal" pelo exército israelense durante as incursões na região, incluindo métodos desenvolvidos para cenários de guerra.
Em um briefing para a imprensa em Genebra, o porta-voz do Escritório de Direitos Humanos da ONU, Thameen al-Kheetan, afirmou que as operações israelenses recentes "levantam sérias preocupações sobre o uso desnecessário ou desproporcional da força", violando as normas internacionais de direitos humanos. Ele destacou o uso de ataques aéreos múltiplos e tiros aparentemente aleatórios contra civis desarmados que tentavam fugir ou buscar segurança.
Nesta sexta-feira, as forças israelenses bloquearam as entradas de Jenin e do campo de refugiados local, enquanto o número de mortos nos ataques chegou a 12 palestinos. Dezenas de pessoas também ficaram feridas ou foram detidas, e milhares foram forçados a abandonar a cidade. Israel justifica as operações como parte de um esforço para "eliminar combatentes palestinos" na região.
Mustafa Barghouti, líder do partido Iniciativa Nacional Palestina, acusou Israel de promover uma "limpeza étnica perigosa" em Jenin, forçando civis e famílias a deixarem suas casas "sob repressão violenta e revistas humilhantes". Ele comparou as práticas israelenses na Cisjordânia e em Gaza, afirmando que ambas regiões sofrem com "punições coletivas, checkpoints, prisões e abusos".
Barghouti pediu unidade nacional palestina para enfrentar o que chamou de "limpeza étnica e genocídio israelense". Enquanto isso, fontes palestinas relataram que as forças israelenses lançaram drones no campo de refugiados e impuseram um toque de recolher na quinta-feira à noite. A agência de notícias Wafa informou que soldados israelenses incendiaram casas no local e impediram equipes de defesa civil de agir para controlar as chamas.
Israel afirma que a eliminação de combatentes armados palestinos na Cisjordânia faz parte de seus objetivos estratégicos na região. As operações militares na área têm se intensificado desde 21 de janeiro, com confrontos frequentes entre grupos armados, forças de segurança da Autoridade Palestina e o exército israelense.
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