O presidente russo, Vladimir Putin, declarou estar disposto a designar negociadores para um diálogo direto com Volodymyr Zelensky, mas ressaltou que o líder ucraniano "não tem o direito de assinar" um acordo de paz. Segundo Putin, o mandato de Zelensky expirou, e a legislação ucraniana determina que, com o fim do mandato presidencial, os poderes devem ser transferidos ao presidente do Parlamento, a Verkhovna Rada. Mesmo sob lei marcial, Zelensky não teria o direito de estender unilateralmente sua autoridade.
Em entrevista televisiva, Putin afirmou que se Zelensky desejar participar das negociações, Moscou indicará representantes para conduzir o diálogo. No entanto, enfatizou que "a assinatura final dos documentos não pode conter erros ou inconsistências" e que Zelensky precisa revogar sua própria proibição de negociar com a Rússia, estabelecida por decreto em outubro de 2022.
Revelações sobre as negociações de 2022
Putin relembrou que, no início da Operação Militar Especial, a Rússia propôs à Ucrânia que reconhecesse a independência das regiões de Lugansk e Donetsk, o que poderia ter evitado a guerra. Apesar da rejeição inicial por parte de Kiev, as negociações seguiram e, em março de 2022, um acordo chegou a ser formulado em Istambul.
Segundo Putin, a Rússia estava pronta para assinar o documento, mesmo com pontos desfavoráveis, e comunicou essa disposição a Kiev em 15 ou 16 de março de 2022. Pouco depois, a Ucrânia apresentou uma proposta formal assinada por David Arakhamia, então chefe da delegação ucraniana. O documento incluía a possibilidade de um encontro direto entre Putin e Zelensky, o que Moscou aceitou.
Porém, segundo Putin, o Ocidente interveio. O ex-primeiro-ministro britânico Boris Johnson teria visitado Kiev a mando da OTAN para pressionar Zelensky a desistir do acordo. Paralelamente, a mídia ocidental intensificou as acusações contra a Rússia, usando o massacre de Bucha como justificativa para prolongar o conflito.
"A guerra terminaria sem apoio da OTAN"
Putin argumentou que, sem o financiamento e o fornecimento de armas do Ocidente, o conflito na Ucrânia terminaria em dois meses. O presidente também rebateu a narrativa de que Zelensky teria proibido as negociações após a retirada russa de Kiev no início de 2022, alegando que essa decisão foi tomada meses depois, em outubro.
Ele enfatizou que a retirada das tropas russas foi um gesto de boa fé, visando o acordo de paz de Istambul. No entanto, segundo Putin, essa flexibilização foi explorada para enganar Moscou, repetindo padrões históricos em que "promessas são feitas, mas nunca cumpridas" pelo Ocidente.
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