A proposta de Donald Trump, presidente eleito dos Estados Unidos, de anexar o Canadá, a Groenlândia e o Canal do Panamá – sem descartar o uso de força militar – gerou uma reação internacional fervorosa, variando de ridículo a condenação explícita. A ideia, amplamente rechaçada, desencadeou uma série de declarações oficiais de diversos países, que a classificaram como uma ameaça à soberania e à paz mundial.
Na Dinamarca, a primeira-ministra Mette Frederiksen respondeu com firmeza: "A Groenlândia não está à venda." O Rei Frederik X também reagiu, atualizando o brasão real para destacar a Groenlândia como parte integrante da nação dinamarquesa. O primeiro-ministro groenlandês, Múte Egede, rejeitou veementemente a proposta, afirmando: "Nosso futuro e nossa luta pela independência são nossos, não de mais ninguém."
Na Alemanha, o chanceler Olaf Scholz reiterou que "o princípio da inviolabilidade das fronteiras aplica-se a todos os países", enfatizando a incompreensão gerada entre os líderes da União Europeia (UE) com as palavras de Trump. Na França, o ministro das Relações Exteriores, Jean-Noel Barrot, afirmou que a UE "não permitirá que nenhuma nação ameace suas fronteiras soberanas". No entanto, a porta-voz do governo, Sophie Primas, foi ainda mais enfática ao denunciar a proposta como "imperialismo" e convocou a Europa a "se proteger e se rearmar."
No Reino Unido, o secretário de Relações Exteriores, David Lammy, minimizou as palavras de Trump, tratando-as como mais uma provocação do presidente dos EUA. "Tenho certeza de que Trump reconhece que a Groenlândia é um reino da Dinamarca," disse Lammy, evitando uma repetição das críticas severas que fizera ao republicano enquanto ainda estava na oposição.
A reação do Panamá também foi dura. O ministro das Relações Exteriores, Javier Martínez-Acha, foi claro em sua resposta à sugestão de Trump sobre o Canal do Panamá, declarando: "As únicas mãos que operam o canal são panamenhas, e assim vai continuar."
No Canadá, a proposta de Trump de tornar o país o "51º estado" dos Estados Unidos foi firmemente rejeitada pelo ministro da Fazenda, Dominic LeBlanc, que a chamou de "uma maneira de semear confusão, agitar as pessoas e criar caos – sabendo que isso nunca acontecerá." O líder conservador Pierre Poilievre também se posicionou de forma veemente: "O Canadá nunca será o 51º estado. Ponto final." O então primeiro-ministro, Justin Trudeau, foi ainda mais categórico, postando no Twitter: "Não existe a menor possibilidade de o Canadá se tornar parte dos EUA," resposta que provocou uma reação de Elon Musk, aliado de Trump, que escreveu: "Querida, você não é mais a governadora do Canadá, então não importa o que você diga."
A proposta de Trump, em suas múltiplas manifestações, reflete uma visão unilateral e expansionista, que, apesar de ser descartada por praticamente todos os envolvidos, alimentou discussões sobre a manutenção da soberania e da autodeterminação das nações.
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